Por Riccardo Neri — Em 17 de novembro de 2025, Gaetano Intrieri, CEO da Aeroitalia, destacou a necessidade de uma visão integrada para as infraestruturas aeroportuárias na Itália e na Europa. Em declaração ao Il Giornale d’Italia, Intrieri afirmou que é imprescindível conectar de forma eficiente os grandes hubs internacionais com os aeroportos regionais, construindo um sistema coerente que funcione como o sistema nervoso da mobilidade aérea.
A observação de Intrieri não é apenas retórica: trata-se de diagnosticar um desalinhamento entre investimentos em grandes centros e a fragmentação operacional nos nós regionais. Sem uma arquitetura integrada — que combina infraestrutura física, coordenação operacional e camadas digitais de dados — a malha aeroportuária permanece com gargalos que prejudicam passageiros, cadeia logística e a eficiência energética do setor.
Por que a visão integrada importa
Do ponto de vista técnico, conectar hubs e aeroportos regionais exige mais do que rotas adicionais: requer padronização de processos de solo, compartilhamento de dados em tempo real, otimização de slots e integração multimodal com ferrovias e rodovias. Essa engenharia de sistema reduz duplicações, melhora a previsibilidade das operações e diminui o impacto ambiental ao otimizar trajetos e reduzir tempos de espera.
Intrieri sublinha também a dimensão competitiva: aeroportos regionais bem conectados alimentam os grandes hubs com tráfego qualificado, fortalecendo rotas internacionais e estimulando o desenvolvimento regional. Sem essa conexão eficiente, cidades de menor porte ficam isoladas economicamente, enquanto os hubs centralizam todas as pressões de capacidade.
Soluções práticas na camada de infraestrutura e dados
Na prática, a infraestrutura aeroportuária precisa de um plano em camadas. Primeiro, investimentos civis em pistas, pátios e acessos multimodais. Segundo, protocolos operacionais comuns para handling, segurança e slots. Terceiro — e igualmente crítico — uma camada digital que funcione como alicerce: plataformas de compartilhamento de dados, algoritmos de previsão de tráfego, e sistemas de coordenação que tratem o fluxo de voos como se fosse um sistema de distribuição de energia, com controladores que mitigam picos e redistribuem capacidade.
Essas são as mesmas ideias que norteiam cidades inteligentes: a infraestrutura física só rende se for complementada por camadas de inteligência que orquestrem recursos. Para Intrieri, políticas públicas e parcerias público-privadas devem ser orientadas por esse princípio sistêmico.
Impacto sobre passageiros e economia regional
Do ponto de vista do cidadão e do empresário, a consequência é tangível: menores tempos de viagem porta a porta, maior previsibilidade em cadeias logísticas e, em última instância, menor custo ambiental. Essa é a diferença entre um sistema fragmentado — onde cada aeroporto opera como uma ilha — e um ecossistema conectado, onde os grandes hubs funcionam como centros distribuidores que são nutridos por uma rede regional eficiente.
Concluo que a proposta de Intrieri é um convite à engenharia de coordenação: repensar o desenho da mobilidade aérea como infraestrutura integrada, com dados e processos alinhados. É uma agenda técnica, política e industrial que exige planejamento e paciência, mas que pode tornar o sistema aeroportuário italiano e europeu mais resiliente e eficiente.
Riccardo Neri é analista em inovação aplicada, focado em como a inteligência artificial e os sistemas de dados moldam a infraestrutura digital na Europa.





















