Em uma conversa objetiva e direta com a comunicadora científica Paola Catapano, o professor Thibaud Damour traça um roteiro claro sobre as mudanças conceituais trazidas pela mecânica quântica e seu impacto nas bases da física. Conhecido por suas contribuições em ondas gravitacionais e buracos negros, Damour — laureado com a Medalha Einstein e o Prêmio Balzan — oferece uma explicação que aproxima o público técnico e não técnico do que significa abandonar, progressivamente, a visão estritamente clássica do universo.
Como um engenheiro que revê as plantas antes de uma grande obra, o professor desmonta a arquitetura conceitual da física tradicional para mostrar onde a realidade quântica altera os alicerces. Segundo Damour, a mecânica quântica não é apenas um conjunto de equações exóticas: é uma camada de descrição que reconfigura a relação entre observador e sistema, entre probabilidade e determinação. Em vez de trajetórias fixas, temos redes de possibilidades — um mapa de fluxo de dados onde o ato de medir redesenha parte do circuito.
Durante a entrevista, os temas centrais foram apresentados como pontos de uma infraestrutura intelectual: os princípios que sustentam a mecânica quântica, as limitações da física clássica quando aplicada a escalas muito pequenas e os desafios de integrar essas camadas de conhecimento em modelos que expliquem fenômenos astrofísicos como ondas gravitacionais e buracos negros. Damour ilustra como a transição conceitual é menos uma ruptura abrupta e mais uma reconfiguração de camadas, semelhante à modernização de redes urbanas que precisam conviver com estruturas antigas e novas tecnologias.
O diálogo também toca na dimensão comunicacional: a importância de traduzir jargões técnicos sem perder precisão científica. Paola Catapano e Damour ressaltam que o entendimento público é parte da infraestrutura democrática da ciência — um sistema nervoso social que precisa receber informação clara para responder com políticas, investimentos e educação adequados.
Esta entrevista funciona como um prelúdio para os debates que serão aprofundados na WTC World Tech Conference, agendada de 24 a 28 de junho de 2026 no Allianz MiCo, em Milano. O professor destaca que eventos desse porte são espaços onde a troca entre especialistas e público permite alinhar expectativas tecnológicas com implicações sociais e éticas, essencial para que a inovação se incorpore às cidades e às infraestruturas com segurança e eficiência.
O vídeo da conversa termina com um convite claro: participar do encontro em Milão para continuar o diálogo e enfrentar coletivamente os desafios que surgem quando camadas avançadas da ciência começam a afetar serviços urbanos, energia e sistemas críticos. Na linguagem de Damour, compreender a realidade quântica é entender como o algoritmo se torna parte da infraestrutura e como essa transição impacta o cotidiano — da mobilidade às redes de comunicação.
Se você atua em tecnologia, políticas públicas, pesquisa ou simplesmente busca entender os alicerces digitais que moldarão o futuro europeu, a presença no evento e o acompanhamento dessas discussões são recomendáveis. A entrevista de Damour oferece uma visão precisa, sem dramatizações, sobre por que a física quântica deixa de ser um tema de laboratório para integrar o arcabouço das decisões públicas e industriais.






















