Por Riccardo Neri — Uma forte tempestade solar começou a afetar a Terra nas últimas horas e representa risco de interrupções em sistemas críticos, incluindo satélites, comunicações em alta frequência e a rede elétrica. A avaliação foi feita por Shawn Dahl, do U.S. Space Weather Prediction Center (SWPC), que classificou o evento como uma tempestade geomagnética de nível 4 em uma escala de 1 a 5.
Segundo o SWPC, a atividade continuará hoje, mas tende a enfraquecer ao longo do dia. A origem do fenômeno foi uma erupção solar intensa registrada ontem, que expeliu um fluxo de partículas carregadas capaz de perturbar o campo magnético terrestre. Essas partículas podem provocar manifestações visíveis, como a aurora boreal, e efeitos tecnológicos, entre os quais degradação de sinais de comunicação em HF, falhas temporárias em serviços satellitares e possíveis sobrecargas em transformadores da rede elétrica.
Em termos de referência histórica, o SWPC lembra que o mundo já enfrentou em 2024 uma tempestade geomagnética de nível 5 — o grau máximo — mas a atual erupção é considerada a mais potente observada desde 2003. Naquela ocasião, a chamada “tempestade de Halloween” provocou apagões localizados na Suécia e danos a infraestruturas elétricas na África do Sul. Eventos dessa intensidade são raros, porém demonstram como a superfície solar atua como um fator de risco real para a infraestrutura tecnológica que mantém o funcionamento das cidades e das redes que suportam a vida cotidiana.
Do ponto de vista sistêmico, é útil imaginar o episódio como uma descarga no “sistema nervoso” das nossas redes: ondas de partículas atravessam o escudo magnético da Terra e induzem correntes onde não deveriam existir, sobrecarregando alicerces físicos como linhas de transmissão e componentes sensíveis de satélites. Operadores de redes, provedores de satélite e serviços de aviação costumam ativar protocolos de mitigação nessas janelas de atividade elevada.
Autoridades americanas indicaram que a aurora boreal pode se tornar visível em latitudes incomuns, potencialmente alcançando estados do sul dos EUA, como o Alabama — um indicativo claro da magnitude do distúrbio. Para observadores e gestores de infraestrutura, a recomendação é acompanhar avisos oficiais do SWPC e de agências nacionais, reduzir operações não essenciais quando indicado e preparar planos de contingência para equipamentos críticos.
Do ponto de vista europeu e italiano, mesmo quando o impacto direto for menor devido à posição geográfica, existem efeitos indiretos relevantes: degradação temporária de serviços GNSS (sistema de posicionamento), ruído em comunicações aeronáuticas de alta frequência e carga adicional em transformadores que podem acelerar perdas ou falhas em pontos frágeis da rede. Em uma arquitetura urbana cada vez mais dependente de camadas digitais e fluxos de dados contínuos, a resiliência passa por manutenção preventiva e monitoramento em tempo real.
Em resumo, trata-se de um episódio significativo, classificado como nível 4 pelo SWPC e considerado o mais intenso desde 2003. A situação evolui ao longo do dia e merece atenção técnica das empresas responsáveis por satélites, comunicações e sistemas elétricos. Para cidadãos, a boa notícia é que, além dos possíveis efeitos tecnológicos, o evento também pode oferecer um espetáculo natural raro: a visibilidade ampliada da aurora boreal em regiões atípicas.
Riccardo Neri escreve sobre como a inteligência artificial e os sistemas de dados estruturam a infraestrutura cotidiana; observe a evolução dos avisos do SWPC para medidas práticas.






















