O Governo nomeou Roberta Angelilli, vice-presidente da Região Lazio, como Comissária extraordinária para a reconversão do polo industrial de Civitavecchia. A decisão marca o início de uma fase planejada de reindustrialização para um dos conjuntos industriais mais complexos do Centro da Itália, com objetivo de superar as limitações de um modelo baseado no carvão e atrair novos investimentos privados.
A figura do comissário foi escolhida para acelerar procedimentos burocráticos e fortalecer o coordenação institucional entre Estado, Região e atores locais — um mecanismo pensado para reduzir atritos e encurtar o tempo de decisão, condição apontada pelos empresários como pré-requisito para tornar Civitavecchia um ecossistema economicamente atrativo.
Massimo Tabacchiera, presidente da Confapi Lazio e Roma, sublinha que a nomeação abre uma oportunidade para “dar finalmente uma resposta concreta a um território que há muito sofre com fragilidades industriais, ocupacionais e infraestruturais”. A mensagem central das associações de categoria é que a estratégia deve integrar as PMEs — as pequenas e médias empresas — como elemento estruturante do novo modelo produtivo regional, e não apenas focar grandes investimentos isolados.
A rota de intervenção definida para o relançamento da área articula-se em três eixos operativos:
- Reconversão industrial: transformação de sites existentes para setores de maior valor acrescentado, com ênfase em tecnologias limpas e processos industriais modernizados.
- Logística avançada: valorização da posição estratégica do porto de Civitavecchia para o tráfego internacional de mercadorias, integrando infraestruturas físicas com plataformas digitais de gestão de cadeia de suprimentos.
- Emprego de qualidade: criação de postos de trabalho estáveis ligados à inovação, à economia de baixo carbono e à transição energética.
Do ponto de vista de política pública e planejamento, a operação em Civitavecchia deve ser lida como uma intervenção sobre os alicerces digitais e físicos de um território: simplificação normativa, incentivos seletivos e coordenação interinstitucional funcionam como as camadas de uma infraestrutura que orienta fluxo de capital e conhecimento. A aposta é que, ao reduzir ruídos regulatórios e promover sinergias entre indústria, porto e tecido empresarial local, será possível reconstruir um ecossistema atraente para fundos privados e projetos industriais sustentáveis.
É essencial que a atuação do Comissariado se desenrole em diálogo constante com a Região e as associações empresariais, para que a reindustrialização não seja uma imposição vertical, mas uma transformação ancorada nas necessidades do mercado e das comunidades locais. Essa sinergia é o que determinará se Civitavecchia conseguirá converter seu legado industrial em uma plataforma competitiva para a economia europeia de baixo carbono.
Como analista atento às infraestruturas discretas que sustentam a vida urbana, vejo nesse processo uma oportunidade de redesenhar o sistema nervoso econômico da região — da logística portuária aos circuitos das PMEs — com base em eficiência, interoperabilidade e qualidade de emprego.






















