Restiamo intelligenti, a nova audiosérie de Paolo Borzacchiello, chega em 6 de fevereiro de 2026 à plataforma Audible. Produzida pelos Audible Studios, a obra propõe uma investigação rigorosa sobre a neurociência das interações humanas e os mecanismos que regem a percepção, a linguagem e a relação entre indivíduos em contextos profissionais e pessoais.
Distribuída em oito episódios de 45 minutos cada, a série evita o simplismo típico da literatura motivacional e opta por um percurso baseado em dados e estudos psicológicos. Borzacchiello retoma a sua trajetória de divulgação — já conhecida por títulos como “HCE” e “Le parole magiche” — para oferecer ferramentas práticas que ajudam a construir uma autoestima ancorada em fatos e metas sustentáveis.
Ao longo dos capítulos, o autor desmonta crenças populares desprovidas de respaldo científico, como a suposta eficiência do multitarefa (multitasking) ou a ideia de que bastam 21 dias para consolidar um hábito. A abordagem privilegia evidências: o que é mito, o que é resultado de interpretação enviesada e como tais convicções influenciam o desempenho e a qualidade das relações.
Um ponto central da narrativa é a compreensão das emoções não como eventos passivos, mas como construções moldáveis pela linguagem. Ao refinar o vocabulário — escolhendo termos mais precisos e descritivos — é possível modular a intensidade de estados fisiológicos negativos e, consequentemente, alterar reações e decisões. Essa é uma leitura que trata a linguagem como tecnologia: uma camada de infraestrutura que reconfigura narrativas pessoais e profissionais.
Outra seção relevante é dedicada aos viéses cognitivos que comprometem avaliações e escolhas. Entre os exemplos analisados, figuram o efeito Dunning-Kruger e a síndrome do impostor, ambos com impacto mensurável sobre a confiança, a produtividade e o desenvolvimento de carreira. Borzacchiello explica como esses vieses emergem do processamento informacional e sugere intervenções linguísticas e comportamentais para mitigá-los.
O autor avalia igualmente o papel da aparência e da comunicação não verbal: elementos estéticos e contextuais não são meros enfeites, mas sinais que desencadeiam respostas bioquímicas — desde a liberação de oxitocina a picos de cortisol — e moldam o clima de confiança ou defesa numa interação. Essa visão conecta o micro (reações fisiológicas) ao macro (estruturas de interação social), tal como um sistema nervoso que integra estímulos e protocolos de resposta.
O desfecho de Restiamo intelligenti propõe uma recuperação do vocabulário como instrumento de empoderamento: a linguagem como alicerce digital para reescrever narrativas individuais, otimizar decisões e estruturar relações mais eficazes. Para quem atua na interface entre tecnologia, organizações e cidadania — da cidade inteligente às redes de trabalho distribuído — a audiosérie oferece princípios operacionais aplicáveis na rotina e na arquitetura comunicacional.
Do ponto de vista da produção, a colaboração entre Audible e Borzacchiello consolida um padrão de conteúdo original que alia rigor científico e aplicação prática. A obra não promete receitas rápidas, mas oferece um mapa interpretativo para identificar armadilhas comunicacionais e redesenhar comportamentos com base em evidências — uma intervenção discreta porém estratégica sobre os alicerces digitais das nossas interações.






















