Por Riccardo Neri — A dimensão digital deixou de ser mero suporte e hoje funciona como um alicerce das interações sociais. Um estudo conjunto da EY Italia, do Istituto Italiano di Tecnologia (IIT) e da Università La Sapienza, realizado no contexto do Padiglione Italia Virtuale na Expo 2025 Osaka, mostra que as normas culturais continuam a moldar comportamentos mesmo em ambientes imersivos, ao mesmo tempo em que a realidade virtual oferece alavancas para promover inclusão.
O ambiente digital reproduzia em 3D áreas relevantes do pavilhão físico e esteve disponível para milhões: mais de 7 milhões de visitantes adicionais transitaram pelo espaço virtual, situando-o como um laboratório robusto para experimentos sociais em escala. No estudo, aproximadamente 200 participantes — distribuídos de forma equitativa entre italianos e japoneses — realizaram tarefas em que a proxêmica virtual (a distância interpessoal preferida) entre sujeitos e avatares de diferentes grupos étnicos foi medida e correlacionada com percepções de atratividade, confiança e vieses implícitos.
Os resultados confirmam duas observações centrais. Primeiro, a cultura persiste como fator determinante: participantes japoneses mantiveram, em média, uma distância de conforto de 161 centímetros, enquanto os italianos preferiram 129 centímetros — uma diferença média de 32 centímetros que evidencia como os padrões de interação do mundo físico migraram para o espaço virtual.
Segundo, o espaço digital não é mera réplica — é um mecanismo que pode reconfigurar relações. A pesquisa quantificou efeitos previsíveis: para cada ponto adicional na avaliação de atratividade do avatar, a distância preferida diminui 0,27 centímetros; para cada ponto a mais em confiabilidade, a redução é de 0,17 centímetros. Em termos práticos, isso significa que a percepção positiva do outro no ambiente virtual pode reduzir barreiras físicas e sociais, favorecendo uma maior abertura e potencialmente ampliando a inclusão.
Do ponto de vista de infraestrutura digital — a verdadeira arquitetura invisível das cidades e comunidades conectadas — esses achados têm implicações diretas. Plataformas imersivas, quando desenhadas com intenção, funcionam como camadas de inteligência que modulam o fluxo de dados comportamentais e sociais: ajustes de avatares, sinalizadores de confiança e elementos de design podem operar como protocolos de comunicação, reduzindo atritos e costurando novas formas de convivência.
É necessário, portanto, tratar a realidade virtual como um laboratório social e como uma peça da infraestrutura pública digital. Políticas e projetos que visem cidades inteligentes, educação e serviços públicos devem incorporar essas evidências para conceber espaços virtuais que não apenas reproduzam as normas existentes, mas ofereçam mecanismos para a construção deliberada de confiança e convivência multicultural.
Em resumo: a proxêmica virtual confirma que cultura e percepção continuam a moldar interações, mas também revela que o ambiente digital pode ser calibrado para reduzir distâncias — físicas e simbólicas — entre pessoas. Para quem projeta plataformas e políticas na Itália e na Europa, o chamado é claro: projetar o espaço virtual como infraestrutura social, com métricas, protocolos e objetivos de inclusão bem definidos.






















