No âmbito do PNRR Brera C.O.M., a Accademia di Belle Arti di Brera apresenta, nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026, no congresso “Quantum C.O.M. Nuove intelligenze generative e mediali”, uma experiência que reconecta herança e tecnologia: o Palazzo Dialogante. A iniciativa, desenvolvida por Carraro Lab, posiciona o histórico Cortile d’Onore como um nó ativo na arquitetura digital da cidade, onde visitantes podem interagir com as camadas da memória esculpida em mármore.
O projeto consiste em uma aplicação de inteligência artificial imersiva que transforma um espaço patrimonial — símbolo de três séculos de cultura europeia — em um ecossistema digital conversacional. Ao invés de uma vitrine estática, o pátio torna-se uma interface: agentes conversacionais e conteúdo gerativo modular traduzem narrativas históricas, disponibilizam contextos e respondem às perguntas do público, criando um diálogo entre presente e passado.
Do ponto de vista de infraestrutura, o Palazzo Dialogante funciona como uma camada de inteligência sobre os alicerces físicos do edifício. Sensores, projeções e interfaces multimodais formam o que podemos chamar de “sistema nervoso” do pátio: um fluxo de dados que alimenta modelos generativos e motores de mediação sem despersonalizar a obra. A proposta é clara e pragmática — aumentar a acessibilidade intelectual e sensorial do patrimônio, sem substituir a experiência direta do espaço.
Desenvolvido por Carraro Lab, o protótipo foca no Cortile d’Onore, propondo interações com as figuras e elementos escultóricos que marcaram a história milanesa. A aplicação cria camadas de informação contextualizadas — cronologias, vozes históricas reconstruídas, e mediações visuais — que se articulam em resposta às consultas dos visitantes. O conceito não é espetáculo tecnológico: é engenharia de mediação cultural, uma forma de integrar dados, narrativa e presença física.
Para quem observa as mudanças nas cidades europeias, o projeto ilustra uma tendência maior: a transformação dos marcos patrimoniais em nós ativos da arquitetura digital. O Palazzo Dialogante não apenas expõe conteúdo; ele opera como infraestrutura cognitiva, onde fluxos de dados e algoritmos servem para ampliar a compreensão e não para substituir o contexto material.
Ao apresentar o projeto no evento Quantum C.O.M., a Accademia de Brera insere a iniciativa em um debate que envolve novas inteligências generativas e mediais, abrindo espaço para reflexões sobre ética, curadoria algorítmica e modelos de governança dos dados culturais. A experiência do pátio é, portanto, também um laboratório: testa práticas de interação, limites de automação e modelos de preservação digital orientados ao visitante.
Para o público italiano e europeu, o Palazzo Dialogante representa uma proposta concreta de como a realidade imersiva e a inteligência artificial podem ser integradas à valorização do patrimônio cultural, sem perder de vista a integridade física e simbólica dos espaços. Em termos práticos, trata-se de um caso útil para gestores urbanos, curadores e engenheiros de dados interessados em como construir camadas de inteligência que respeitem e ampliem o valor histórico.
O resultado esperado vai além do roteiro turístico: é um modelo de cidade onde o passado conversará com o presente por meio de alicerces digitais — uma infraestrutura cultural que torna o conhecimento mais acessível, dialogável e mensurável.






















