Em 20 de fevereiro de 2026, Roma sediou um encontro estratégico que coloca o nuclear no centro da discussão sobre planejamento energético, segurança de suprimentos e inovação. O evento “Il nucleare nella pianificazione energetica. Sicurezza, innovazione e competitività nel contesto internazionale”, realizado no Espaço Multimídia Europa Experience – David Sassoli e promovido sob o patrocínio do Parlamento Europeu, teve como objetivo abrir um espaço plural para debater as transformações dos sistemas energéticos globais e as implicações do uso da energia atômica na transição para a descarbonização.
Na abordagem analítica adotada pelo debate, o nuclear deixou de ser tratado como um bloco isolado de geração e passou a ser visto como um componente integrado ao desenho mais amplo das infraestruturas energéticas: da gestão do fluxo entre fontes renováveis e térmicas até as camadas digitais que coordenam redes e mercados. O foco central foi avaliar como a tecnologia atômica contribui para a segurança dos abastecimentos e a sustentabilidade ambiental, cruciais para alcançar as metas de neutralidade carbônica definidas pela União Europeia.
O programa do encontro explorou também as novas frentes de pesquisa e os desafios de governança, com ênfase na digitalização dos sistemas complexos. Entre os temas técnicos tratados estavam a aplicação de infraestruturas digitais e blockchain para rastreabilidade de combustível e gestão de ativos, sistemas de vigilância ambiental dotados de sensores distribuídos, e a modernização da instrumentação para programas nucleares industriais. Esse conjunto de tecnologias funciona como um alicerce digital que suporta a operação segura de centrais e a confiança pública.
O diálogo reuniu um leque amplo de stakeholders: Presidência do Conselho de Ministros, MASE, ISPRA, ENEA e Eni, além das associações e do setor industrial, indicando a natureza multidisciplinar do tema. Entre as vozes que se destacaram, Gabriele Ferrieri, presidente da Associazione Nazionale Giovani Innovatori (ANGI), afirmou: “o confronto sobre o nuclear é hoje uma prioridade estratégica para o futuro energético do País. Como ANGI, acreditamos ser fundamental criar espaços de diálogo qualificado entre instituições, pesquisa e indústria, para que as decisões de planejamento energético se baseiem em competência, inovação e visão internacional”. A presença dos jovens inovadores foi colocada como fator imprescindível para articular pesquisa e implementação tecnológica.
Patrocinado ainda por WEC Italia e CDTI, o encontro analisou trajetórias tecnológicas de longo prazo, incluindo a pesquisa em fusão magnética e aplicações avançadas da energia atômica. Representantes da indústria, como Walter Tosto S.p.A. e Sogin, discutiram a necessidade de uma roadmap clara para integrar o nuclear ao mix energético nacional, combinando capacidade produtiva e investigação acadêmica.
Do ponto de vista sistêmico, os participantes sublinharam que a inserção do nuclear exige coordenação entre regulamentação, investimento em instrumentação e modernização das camadas digitais que monitoram segurança e impacto ambiental. É, em termos práticos, uma operação de engenharia de redes: sincronizar produção, distribuição e controles de segurança para que o sistema funcione com resiliência perante choques externos.
Em conclusão, o encontro em Roma reafirmou que a integração responsável do nuclear na política energética italiana passa por três vetores simultâneos: governança técnica rigorosa, digitalização das infraestruturas como suporte à transparência e segurança, e um ecossistema industrial-acadêmico capaz de transformar pesquisa em capacidade produtiva e competitiva. Só um alinhamento desses alicerces permitirá que a Itália converta potencial científico em vantagem estratégica no contexto europeu.






















