O caminho do programa Artemis para a Lua atravessa uma fase decisiva em que testes de hardware e revisões de engenharia funcionam como os alicerces de uma infraestrutura complexa. Enquanto a NASA analisa os dados criogenéticos coletados após o confidence test realizado em 12 de fevereiro no estágio central do foguete SLS (Space Launch System), há avanços paralelos nas soluções que permitirão operações humanas na superfície lunar.
No ensaio de confiança do estágio central, o objetivo principal foi verificar a estanqueidade das novas vedações no sistema de abastecimento de hidrogênio líquido. Apesar de uma redução no fluxo de propelente provocada por um problema em equipamentos de suporte em solo, os técnicos confirmaram a aquisição de dados relevantes justamente nas áreas onde vazamentos haviam sido detectados anteriormente. Essa informação alimentar rá a próxima rodada de ajustes e validações, como se tratasse de calibrar o sistema nervoso de uma máquina complexa.
Em paralelo, as atividades extraveiculares receberam um impulso significativo: os trajes de nova geração AxEMU (Axiom Extravehicular Mobility Unit), desenvolvidos pela Axiom Space para a missão Artemis III, superaram a revisão técnica. Esse marco é pré-requisito para a revisão crítica de projeto da NASA, etapa necessária para assegurar que os padrões de segurança e desempenho exigidos para operar na superfície lunar sejam atendidos.
O design das AxEMU, fruto de colaborações com fornecedores de design de alto nível como Prada, privilegia uma flexibilidade inédita. Segundo os dados oficiais, o sistema foi submetido a mais de 850 horas de testes com pessoal humano, simulando condições de microgravidade e isolamento térmico característicos do polo sul lunar. “Este resultado reflete nosso esforço conjunto para entregar um traje lunar seguro e funcional que permitirá aos astronautas explorar a superfície da Lua”, afirmou Lara Kearney, responsável pelo programa de atividades extraveiculares.
Do ponto de vista operacional e financeiro, a abordagem da NASA para Artemis marca uma mudança: a agência não é proprietária de todo o hardware, mas aluga capacidades de parceiros privados — um modelo “as-a-service” que já vem sendo testado com as cápsulas Crew Dragon e agora se estende aos trajes extraveiculares. A Axiom Space reforçou a sustentabilidade do projeto ao captar recentemente US$ 350 milhões em novos investimentos, assegurando continuidade aos trabalhos relacionados à futura estação espacial comercial.
Quanto ao cronograma das missões, a janela de lançamento para Artemis II permanece fixada para não antes de março de 2026, condicionada à conclusão de uma segunda simulação de reabastecimento conhecida como wet dress rehearsal. Para o pouso humano previsto em Artemis III, a meta é o final de 2028, data que dependerá da validação definitiva das tecnologias de suporte à vida e de mobilidade.
Em suma, o progresso é o resultado da integração entre camadas de engenharia, processos de teste e estratégias de parceria — a infraestrutura que sustenta a próxima fase da exploração lunar. A análise dos dados do SLS e a certificação das AxEMU compõem dois vetores críticos desse sistema, ambos necessários para que a missão avance das simulações para operações reais na superfície lunar.




















