Em mais um capítulo da batalha judicial que envolve os grandes atores do ecossistema de inteligência artificial, Elon Musk pediu até US$134 bilhões em danos contra OpenAI e Microsoft. A alegação central do bilionário é que teria sido lesado quando a organização vinculada à OpenAI deixou sua estrutura original sem fins lucrativos e formou uma aliança estratégica com a Microsoft.
Os novos pedidos de indenização constam em documentos protocolares apresentados pelos advogados de Musk depois que um juiz autorizou que a disputa avance para julgamento. O processo está previsto para começar em 27 de abril de 2026. Segundo a petição, Musk teria direito a parte da atual avaliação de mercado de OpenAI — estimada em cerca de US$500 bilhões — em razão de um capital inicial de aproximadamente US$38 bilhões que alega ter aportado na fase fundacional da organização.
OpenAI respondeu publicamente classificando a ação como infundada: “A ação legal de Musk continua a ser priva de fundamento e o demonstraremos em juízo. Esta solicitação não é séria”, declarou a organização. A controvérsia não é nova: Musk já havia apresentado processo contra a própria OpenAI e o CEO Sam Altman há dois anos, alegando que a entidade havia abandonado sua missão original sem fins lucrativos.
No ano passado, um consórcio de investidores liderado por Musk ofereceu US$97,4 bilhões para adquirir o controle da estrutura sem fins lucrativos à qual a OpenAI estava vinculada. A rejeição dessa e de outras tentativas precede a escalada atual, que transforma uma disputa sobre governança e missão institucional em uma contenda centrada em valores e controle de ativos intangíveis — modelos, talentos e contratos de cloud.
Implicações além do tribunal
Do ponto de vista sistêmico, a ação de Musk toca nos alicerces digitais que sustentam a indústria de IA. A contestação não é apenas sobre cifras: trata-se de como se distribuem direitos sobre camadas de inteligência, parcerias estratégicas entre startups e grandes fornecedores de infraestrutura em nuvem, e a função das entidades sem fins lucrativos no ecossistema tecnológico. A aliança entre OpenAI e Microsoft simboliza um padrão repetido na economia digital, em que ativos de pesquisa se integram ao fluxo de serviços comerciais — o “sistema nervoso” do setor.
Para leitores na Europa e na Itália, o caso é relevante por duas razões práticas: primeiro, pode influenciar como se estruturam acordos de financiamento e governança em projetos de IA com implicações transfronteiriças; segundo, abre precedentes sobre a responsabilização e a definição de valor em ativos intangíveis que sustentam cidades inteligentes, energias conectadas e serviços públicos digitalizados.
O que esperar até o julgamento
Até o início do processo, esperado para 27 de abril, é provável que ambas as partes continuem a trocar documentos e argumentos centrados em contratos fundacionais, comunicações internas e a natureza dos aportes financeiros originais. Se o tribunal reconhecer qualquer direito pecuniário de Musk, o impacto econômico e jurídico poderia repercutir em práticas de governança corporativa e na forma como parcerias entre startups e gigantes de tecnologia são formalizadas.
Em termos práticos, a audiência vai medir não só quantos bilhões estão em jogo, mas também como os alicerces jurídicos e contratuais sustentam o fluxo de inovação. A disputa é um lembrete de que, hoje, a arquitetura digital do ecossistema de IA — desde centros de dados até algoritmos e contratos de licenciamento — é também uma infraestrutura sujeita a tensões políticas, econômicas e legais.






















