Meta testa assinaturas premium em Instagram, Facebook e WhatsApp
A Meta inicia testes de um novo modelo de monetização que introduz planos de assinaturas premium em suas plataformas principais. Nos próximos meses, Instagram, Facebook e WhatsApp devem receber pacotes pagos que liberam funcionalidades de inteligência artificial mais avançadas e ferramentas exclusivas de gestão de perfil. Os serviços essenciais continuarão gratuitos, e a proposta será distinta do serviço Meta Verified, lançado em 2023.
Do ponto de vista estratégico, trata‑se de transformar camadas de capacidade computacional e modelos de linguagem — até então oferecidos sem custo ou comprados por valores bilionários — em uma espécie de “infraestrutura adicional” acessível por assinatura. O objetivo é recuperar parte dos investimentos feitos no desenvolvimento da família de modelos Llama e na aquisição de tecnologias complementares.
Entre os elementos que devem migrar para o universo pago está o sistema de criação de vídeos curtos Vibes, lançado em setembro de 2025: a ferramenta passará a um modelo freemium, retendo as funções criativas mais sofisticadas para assinantes. Outro componente central é a suíte de agentes inteligentes Manus, adquirida por cerca de US$ 2 bilhões em dezembro passado, que será incorporada às ofertas premium para automatizar e personalizar fluxos de trabalho e interações — funcionando como uma camada de “agentes” sobre o sistema nervoso das plataformas.
Fontes internas e rumores do mercado indicam também que as assinaturas podem incluir ferramentas analíticas e de interação bastante demandadas pelos usuários. No Instagram, os recursos esperados englobam a gestão de listas de público sem limites, monitoramento preciso de contas que não retornam o follow e a possibilidade de visualizar histórias de forma anônima. Essas funções são pequenas, isoladamente, mas formam um conjunto de “serviços de retaguarda” que alteram a experiência de uso diário.
Ao optar por integrar modelos avançados diretamente nos fluxos sociais em vez de vendê‑los separadamente como fazem concorrentes como OpenAI e Google, a Meta aposta que os usuários europeus e italianos estarão dispostos a pagar por uma experiência mais granular, assistida por IA. A lógica é a de transformar funcionalidades de alto valor agregado em pontos de monetização contínua sem interromper o acesso básico à plataforma — uma espécie de camadas de serviços conectadas sobre a infraestrutura central.
Não há, por enquanto, valores definidos ou datas precisas para lançamento. A empresa testará diferentes pacotes em mercados selecionados e ajustará ofertas segundo a resposta dos usuários e a eficiência na operação dessas camadas de IA. A iniciativa reflete uma tendência maior na economia digital: quando a inteligência se torna componente estrutural, as formas de cobrança também se tornam parte da arquitetura do serviço.
Em síntese, a mudança proposta pela Meta não é apenas comercial; é arquitetural. Ao transformar capacidades de IA em serviços premium, a empresa está redesenhando parte dos alicerces digitais sobre os quais milhões de europeus constroem sua vida social online — equilibrando o acesso gratuito aos serviços essenciais com camadas pagas que atuam como infraestrutura de apoio para quem demanda maior controle, anonimato e automação.
Riccardo Neri — Espresso Italia






















