Uma pesquisa da Bar-Ilan University publicada em Nature Communications mostra que as medusas não só descansam como os humanos: mantêm um ciclo diário próximo de oito horas de sono e apresentam breves pisolinos ao longo do dia. O trabalho analisou especificamente a Cassiopea (a chamada “medusa de cabeça para baixo”) e o anêmone do mar, usando rastreamento por vídeo infravermelho e ferramentas de análise comportamental.
Os resultados evidenciam que, mesmo sem um cérebro complexo ou um sistema nervoso central estruturado como o dos vertebrados, esses organismos têm padrões estáveis de inatividade e redução de reatividade a estímulos externos — uma definição comportamental de sono. Durante a noite observa-se uma desaceleração marcante nas pulsações do sino das medusas; ao meio do dia, por sua vez, foram detectados episódios curtos de inatividade equivalentes a um power nap.
Do ponto de vista evolutivo, a descoberta reposiciona o sono como uma necessidade muito anterior ao aparecimento de cérebros complexos: “a função do sono está conservada ao longo da evolução”, afirmam os autores. Nas espécies estudadas, o controle do repouso combina influências externas — como o ciclo claro-escuro — e mecanismos internos, no caso do anêmone, onde um relógio biológico regula o ritmo. Ambos, contudo, apresentam necessidade homeostática de recuperação para preservar a integridade de suas células neuronais.
Como analista de infraestrutura digital, é útil pensar nesses achados em termos de sistemas: o sono surge como uma camada básica de manutenção, uma rotina de reparo e reorganização que antecede arquiteturas neurais complexas, assim como a manutenção de subestações é essencial ao funcionamento estável de uma rede elétrica. Entender como mecanismos tão simples gerenciam descanso e homeostase pode iluminar as funções fundamentais do sono em redes biológicas mais complexas, incluindo a humana.
Além do valor histórico-científico para a biologia evolutiva, o estudo pode fornecer pistas relevantes para a pesquisa clínica sobre distúrbios do sono. Se processos de reparo celular e manutenção neuronal são primordiais em animais tão simples, mapear essas rotinas pode ajudar a identificar alvos moleculares ou comportamentais para terapias em humanos.
Em síntese, a investigação reforça que o sono não é um luxo adquirido por cérebros sofisticados, mas um alicerce conservado da vida animal. As medusas — habitantes ancestrais dos oceanos — emergem assim como modelos valiosos para compreender o que, há centenas de milhões de anos, já sustentava a estabilidade dos sistemas nervosos: ciclos de descanso regulares, episódios breves de recuperação e uma arquitetura biológica dedicada à preservação do funcionamento celular.






















