Por Riccardo Neri — A chegada de Mario Tennis Fever ao Switch 2 funciona como um reajuste nos alicerces da série: Camelot corrige a ênfase excessiva no competitivo online vista em Aces e restabelece um equilíbrio entre progressão single-player e um gameplay mais profundo e estratégico. Essa reorientação não é nostalgia vazia, mas uma reforma arquitetônica do sistema de jogo que consolida camadas de inteligência acessíveis e recompensadoras.
O primeiro sinal dessa mudança é o roster: dos 38 personagens disponíveis, muitos precisam ser desbloqueados por meio de desafios e modos específicos. Esse retorno ao loop de progressão — ganhar personagens jogando — age como uma infraestrutura de engajamento, similar ao sistema nervoso de uma cidade que exige exploração ativa para desbloquear serviços. Não se trata de cosmética; cada habitante do Reino dos Cogumelos, de Mario e Peach a coadjuvantes como Spunzo e Kamek, deve ser conquistado no campo, incentivando o jogador a percorrer toda a oferta do título.
A verdadeira novidade técnica são as Racchette Frenesia. Diferente do passado, quando cada personagem tinha um golpe especial único, agora é a raquete que determina o efeito do super-tiro. Esse arranjo transforma o jogo numa camada adicional de decisão tática: combinar as características físicas do tennista com propriedades específicas da raquete — como a Racchetta Melma ou a Racchetta Ghiaccio — cria sinergias que convertem cada troca numa partida de xadrez em alta velocidade. Em termos de arquitetura de jogo, é como modular hardware e software para obter comportamentos emergentes.
No leque de modos, a oferta é finalmente robusta. A modalidade história ainda padece de ritmo irregular e de um tutorial mais longo do que o ideal, mas a inclusão das Torri delle Sfide (Torres das Desafios) eleva significativamente a curva para os veteranos. A seção de Regras especiais, com variantes como o Campo flipper, fornece a diversidade necessária para quebrar a monotonia dos torneios clássicos.
Falando em torneios, aqui reside um ponto fraco: as competições tradicionais são curtas e carecem de uma opção “purista” sem potenciadores no single-player — algo que, curiosamente, está presente no multiplayer. Essa escolha de design demonstra uma prioridade em fluxos rápidos de jogo para públicos diferentes, mas deixa uma lacuna para quem busca uma experiência estritamente competitiva offline.
Visualmente, Mario Tennis Fever aproveita o poder do Switch 2 para entregar fluidez e tempos de carregamento quase instantâneos, mantendo o estilo colorido e carismático típico da Camelot. Em termos de alicerces digitais, o título mostra como otimização de camada baixa (engine e I/O) pode melhorar a sensação geral de responsividade e continuidade.
Em suma, Mario Tennis Fever não é apenas mais um spin-off esportivo: é a demonstração de que a Nintendo reencontrou a fórmula que une acessibilidade imediata a uma estrutura que recompensa a dedicação do jogador solo. Para o ecossistema de jogos da empresa, trata-se de um ajuste fino na arquitetura — uma reafirmação de que, ao reorganizar as camadas de jogo, se reconstrói também a fidelidade dos usuários.



















