Italian Lifestyle volta a reunir inovação, indústria e pesquisa para fortalecer os alicerces do Made in Italy. Na edição 2025, seis startups apresentam soluções que vão do reaproveitamento de alimentos ao combate à contra‑fação de artigos de luxo, passando por têxteis sensoriais e realidade aumentada sem visores. O resultado é um mosaico de tecnologias aplicadas que atuam como camadas de inteligência sobre cadeias produtivas históricas.
O programa, promovido pelo Intesa Sanpaolo Innovation Center e pela Fondazione CR Firenze, em parceria com Nana Bianca e a Fondazione per la Ricerca e l’Innovazione dell’Università di Firenze, oferece às selecionadas um percurso intensivo de 12 semanas e um apoio financeiro de €20.000 provido pela Fondazione CR Firenze. Desde a primeira edição, o programa já apoiou 18 startups que somaram acima de €7 milhões em captação, desencadearam mais de 230 colaborações com empresas e geraram mais de 140 empregos qualificados. Nesta edição, os Corporate Partner — entre eles Alpitour World, Gucci, Colorobbia, Cisco, Sanpellegrino e Starhotels — contam também com o reforço das novas entradas Bauli, Terna e Iren.
As seis iniciativas selecionadas formam um lote diversificado de intervenções tecnológicas aplicadas aos setores estratégicos do país. Abaixo, a síntese das propostas:
- Aloe (Milão, 2023): plataforma white‑label que integra sistemas hoteleiros para vender experiências em tempo real. Com uma web app personalizável, transforma a estada em um itinerário sob medida e já ativou mais de 1.200 experiências em cinco cidades. A solução atua como um sistema nervoso que conecta oferta, demanda e operação hoteleira.
- Knitronix (Florença, 2016): converte tecidos em sensores distribuídos por meio de tecnologia patenteada, permitindo monitoramento de infiltrações, integridade de condutas e aplicação em robótica avançada. É um exemplo de como o tecido pode se tornar infraestrutura sensorial contínua.
- Why Only White (Florença, 2023): plataforma de realidade aumentada “phygital” que dispensa visores para o desenvolvimento de produto. Reduz tempos, custos e emissões provenientes da prototipagem física, aplicando‑se a moda, mobiliário, packaging e design industrial — uma camada digital que otimiza o ciclo de projeto.
- Biotitan (Bergamo, 2018): desenvolve formulações nanotecnológicas para manutenção e limpeza de materiais, com foco em preservar superfícies, prolongar a vida útil e facilitar operações de conservação em setores que vão do design ao patrimonio industrial.
- Biova: transforma excedentes alimentares — como o pão invendido — em novas cadeias de valor, por exemplo produzindo cerveja artesanal e ingredientes funcionais para a indústria do food. A proposta reduz desperdício e cria matéria‑prima circular para a cadeia alimentar.
- Elementag: propõe um “DNA invisível” e microtagging para autenticação de produtos de luxo, oferecendo uma barreira molecular contra a contra‑fação e fortalecendo a rastreabilidade em setores nos quais a confiança na origem é um ativo crítico.
O papel dos parceiros corporativos é decisivo: ao compartilhar know‑how industrial, canais comerciais e requisitos regulatórios, eles atuam como conectores entre a experimentação das startups e a escala industrial. Esse ecossistema funciona como a infraestrutura física de uma cidade inteligente — camadas distintas que precisam interoperar para que o fluxo de valor aconteça sem fricções.
Do ponto de vista estratégico, a iniciativa evidencia duas tendências claras. Primeiro, a digitalização aplicada ao produto — seja por sensores embutidos, realidade aumentada ou marcação molecular — está se tornando tão fundamental quanto as matérias‑primas tradicionais. Segundo, a economia circular ganha espaço prático quando soluções tecnológicas permitem transformar resíduos em insumos valiosos.
Em suma, a edição 2025 do Italian Lifestyle não é apenas uma vitrine de protótipos: é um laboratório de integração entre startups e indústria que, ao reforçar o Made in Italy, redesenha a infraestrutura de produção do país com camadas digitais e circulares. Para empresas e formuladores de políticas, o aprendizado é claro: inovação efetiva exige não somente tecnologias emergentes, mas redes colaborativas que funcionem como condutos estáveis entre pesquisa, mercado e capital.






















