Por Riccardo Neri — A primeira edição italiana do relatório “Skills on the Rise” do LinkedIn confirma o que já se percebe na infraestrutura digital: a inteligência artificial tornou-se o eixo central da transformação das habilidades profissionais. Na análise “Competenze in Crescita 2026”, a IA aparece como a competência mais requisitada em quatro das cinco funções empresariais monitoradas — Vendas, Formação, Desenvolvimento de Negócios e Tecnologia da Informação — ocupando o segundo lugar apenas em Engenharia.
Os resultados ilustram uma mudança estrutural, não apenas um modismo. A emergência da IA funciona como uma camada de inteligência sobre processos existentes, alterando expectativas e redistribuindo responsabilidades: das tarefas operacionais para decisões de maior valor acrescentado. Michele Pierri, responsável do LinkedIn Notizie Itália, resume a lógica por trás do levantamento ao afirmar que a nova lista de competenças serve como guia para profissionais que precisam se orientar num mercado que muda com rapidez crescente, impulsionado pelo avanço tecnológico.
Integração tecnológica e capital humano
Apesar de a tecnologia dominar os rankings, o estudo destaca simultaneamente o renascimento das soft skills. Em ambientes cada vez mais globais e multiculturais, a comunicação profissional, o escuta ativa e a gestão de conflitos emergem como alicerces para a execução bem-sucedida de iniciativas orientadas por dados. Ou seja, o algoritmo funciona como infraestrutura, mas o resultado final depende do operador humano que interpreta sinais e prioriza ações.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por liderança estratégica e capacidade de gestão orientada por dados. Em áreas como Business Development e Sales, habilidades em análise estatística e foco em ROI demonstram que a IA não substitui o julgamento humano; ela amplia a base informacional que suporta decisões estratégicas.
Do técnico ao interpretativo
No âmbito da Information Technology, a presença da IA está lado a lado com ferramentas técnicas, linguagens de programação e práticas de gestão de dados — pilares da segurança e da performance dos serviços digitais. Em Engenharia, onde a IA ficou em segundo lugar, observam-se competências técnicas clássicas mantendo relevância, mas agora articuladas com capacidades de integração de modelos como LLM e outras soluções generativas.
Olga Farreras Casado, career expert do LinkedIn Itália, enfatiza que as trajetórias profissionais são hoje não-lineares e centradas em habilidades dinâmicas. A AI literacy — o entendimento prático de como empregar modelos de linguagem e ferramentas de automação — é apontada como uma das competências mais buscadas, mas a chave, segundo ela, é a aptidão contínua para atualização e adaptação.
Impacto prático para empresas e profissionais
Do ponto de vista de infraestrutura urbana e corporativa, esse movimento lembra a atualização de uma rede elétrica: novas camadas são suplementadas às existentes, exigindo interoperabilidade e governança. Empresas que tratam a IA como um insumo estratégico — e não apenas como tecnologia de ponta — tendem a extrair maior valor: melhor tomada de decisão, automação inteligente e retorno sobre investimento mensurável.
Para o profissional europeu e italiano, a recomendação é clara e pragmática: reforçar competências em inteligência artificial e análise de dados, sem negligenciar as soft skills que permitem traduzir resultados técnicos em impacto organizacional. A transformação é uma reconfiguração do sistema nervoso das organizações — quem entende o fluxo de dados e as camadas de inteligência terá vantagem competitiva sustentada.
Publicado por Espresso Italia — Observatório de inovação aplicada e infraestruturas digitais.


















