Por Riccardo Neri — A Comissão Europeia identificou a Itália como o quarto país da região com mais cidades inteligentes, posicionamento confirmado em levantamento que engloba 194 centros urbanos distribuídos por 26 países da União Europeia e inclui ainda entradas do Reino Unido, Suíça, Sérvia e Turquia. Segundo a análise citada pela multinacional 1NCE, especializada em IoT (Internet das Coisas), o país contabiliza 13 cidades classificadas como digitais.
Na comparação entre países, a liderança fica com a Espanha (21 cidades), seguida pela Alemanha (15) e Suécia (14). A presença italiana concentra-se principalmente no Norte, com Alessandria, Bergamo, Bolzano, Brescia, Genova, Milano, Torino e Trento. No Centro aparecem Firenze, Montieri e Pisa, enquanto no Sul destacam-se Napoli e Lecce.
Do ponto de vista técnico, a inclusão de um centro urbano na lista da Comissão baseia-se no grau de adoção de ferramentas tecnológicas para otimizar infraestruturas essenciais — por exemplo, pontos de iluminação pública —, sistemas de mobilidade e transporte, gestão ambiental e de resíduos, além de outros determinantes da qualidade de vida. Essa avaliação metodológica explica por que os resultados da Comissão Europeia podem divergir de outros estudos ou relatórios.
Os ganhos atribuídos ao IoT são mensuráveis e ilustram como camadas digitais atuam como alicerces invisíveis da cidade moderna. Estimativas da 1NCE apontam reduções de consumo significativas: até 40% nos gastos com iluminação pública, até 20% nos custos energéticos de edifícios inteligentes, até 12% na eletricidade por meio de contadores inteligentes e até 40% no consumo de combustível com roteamento otimizado de frotas monitoradas via Internet das Coisas. Em termos de infraestrutura urbana, esses ganhos funcionam como otimização do fluxo — semelhantes a racionalizar uma rede elétrica para reduzir perdas.
A presença da empresa no SCEWC — o principal evento global sobre inovação urbana — reforça o papel do setor privado na tradução das tecnologias em operações cotidianas das cidades. No entanto, a eficácia das soluções depende da integração entre dispositivos, plataformas de dados e políticas públicas: o algoritmo sem dados é uma peça isolada; a cidade inteligente é um ecossistema.
Como analista de infraestrutura digital, prefiro descrever esse fenômeno com metáforas de engenharia: o IoT constrói camadas de inteligência sobre a estrutura física da cidade, como sensores que fazem o papel de nervos e plataformas que atuam como médulas de decisão. A escala e a velocidade de implementação variam por região, explicando a predominância do Norte da Itália no ranking.
Em resumo, a lista da Comissão Europeia dá uma fotografia do estágio de adoção tecnológica das cidades italianas e evidencia potenciais economias operacionais viabilizadas pelo Internet das Coisas. A próxima etapa para maximizar esses benefícios é alinhar investimentos em infraestrutura, governança de dados e padrões interoperáveis, assegurando que o fluxo de dados transforme-se em decisões concretas e melhorias mensuráveis para os cidadãos.





















