O relatório State of Data Infrastructure 2025, da Hitachi Vantara, revela que a rápida adoção da inteligência artificial nas empresas europeias está escancarando fragilidades estruturais longamente ignoradas. Embora 97% das organizações relatem uso de IA, a crescente complexidade e a fragmentação das plataformas de dados surgem como o principal gargalo para transformar investimento tecnológico em valor real.
O estudo, baseado em entrevistas com mais de 1.200 líderes de TI no mundo, mostra que na Europa o volume de dados e a dispersão das infraestruturas crescem mais rápido do que a capacidade das empresas de gerenciar esses ativos. O resultado é um aumento do risco sistêmico: 77% das organizações dizem estar enfrentando uma escalada rápida na complexidade operacional.
Essa fragilidade das bases de dados afeta diretamente a segurança. Entre as evidências mais relevantes do relatório estão:
- 51% dos responsáveis de TI admitem que a complexidade dificulta a detecção rápida de violações;
- 36% acreditam que a alta direção ficaria alarmada caso entendesse a precariedade das infraestruturas;
- 39% classificam as violações habilitadas por IA como uma das principais ameaças.
O panorama italiano traz nuances específicas. A adoção de IA no país é praticamente universal (98%), contudo apenas 32% das empresas a consideram já business-critical, contra uma média europeia de 36%. O que mais pesa nas empresas italianas é o receio reputacional: 42% temem perda de confiança de clientes e investidores após incidentes com dados, acima dos 35% da média da UE.
Esse temor é alimentado por uma governança ainda imatura: somente 18% das empresas italianas definem sua governança de IA como «líder de setor» e apenas 60% dizem possuir uma visão executiva clara para IA. Esses indicadores apontam para lacunas na camada de gestão que funciona como o alicerce das aplicações inteligentes.
Um ponto central do relatório é conceitual, porém pragmático: a eficácia da inteligência artificial não depende tanto do orçamento ou do porte da organização, mas da maturidade da sua infraestrutura de dados. Existe correlação direta entre fundamentos tecnológicos sólidos e a capacidade de gerar retorno sobre investimento (ROI).
Empresas com maturidade avançada em infraestrutura colhem três vantagens operacionais claras: melhores níveis de confiança nos outputs dos algoritmos (menor incerteza nas decisões), capacidade de escalar cargas automaticamente conforme a demanda e maior resiliência operacional. Em termos de arquitetura, isso significa menos silos, pipelines de dados mais confiáveis e camadas de inteligência integradas ao fluxo de operações — o equivalente digital a uma rede elétrica previsível e redundante.
Para gestores e arquitetos de tecnologia, a mensagem é pragmática: investir em governança, observabilidade e padronização das plataformas é tão crítico quanto expandir modelos e casos de uso de IA. Sem essa base, a inovação permanece experimental e exposta a riscos reputacionais e operacionais.
Em suma, o relatório destaca que a transição para cidades e empresas mais inteligentes depende menos de «trancos» tecnológicos e mais da construção ordenada de alicerces digitais. A diferença entre ambição e resultado prático na Europa será definida pela capacidade dos atores públicos e privados em reduzir a fragmentação, reforçar a governança e restaurar a confiança dos investidores.






















