Por Riccardo Neri — Analista de inovação e infraestrutura digital.
O Sanremo 2026 já está em voga, mas não apenas no palco do Ariston: o movimento aconteceu primeiro no palco virtual do Google. Uma análise da agência de SEO, SEM e AI Search AvantGrade.com, partilhada em antevisão com o Corriere, mostra que as pesquisas dos italianos relacionadas ao festival registaram dois picos absolutos — 30 de novembro, com a publicação da lista oficial de concorrentes, e 30 de janeiro, com o anúncio dos duetos. Curiosamente, a noite dos duetos parece concentrar mais atenção do público do que a dinâmica competitiva tradicional.
Entre os tópicos que dominaram o tráfego de buscas nas últimas semanas está o controverso caso Pucci, que também impulsionou as pesquisas no YouTube. Outro fenómeno destacado é o Fantasanremo, cuja gamificação amplia o envolvimento do público e transforma a audiência em participantes ativos, mais do que meros consumidores de conteúdo.
O relatório sublinha ainda que o interesse por potenciais convidados — nomes como Baby K, Riccardo Fogli e a possível presença de Samira, conhecida por La Ruota della Fortuna — chegou a superar o interesse pelos artistas oficialmente em competição. Esse descompasso alimentou reações nas redes sociais do tipo “Era melhor o ano passado”, “Mas quem são estes?” e “Faltam os big”.
«A análise das pesquisas dos italianos (curtas e guiadas pelo hype) descreve um fenómeno claro», comenta Ale Agostini, fundador da AvantGrade.com. «O Festival não é apenas música; é um ecossistema de antecipações, curiosidades e conversas que explodem nos momentos estratégicos da comunicação».
No mês mais recente, os três artistas em competição mais googlados foram Raf, Fedez e, sobretudo, Arisa. Paralelamente, cresceu a curiosidade pelos títulos das canções — entre dezembro e janeiro as buscas por nomes de músicas ganharam força, posicionando-se em quarto lugar entre as consultas relacionadas com Sanremo.
Num olhar mais amplo, até início de fevereiro o interesse médio por Sanremo 2026 foi mais que o dobro daquele registado para as Olimpíadas de Milão-Cortina (iniciadas em 6 de fevereiro). Esse dado confirma o peso cultural e mediático do Festival no panorama italiano, onde o evento funciona como um catalisador de conversas e tendências.
Do ponto de vista de infraestrutura informacional, o que vemos é a formação de camadas de atenção que se sobrepõem ao próprio produto musical: anúncios, duelos, convidados e episódios polémicos tornam-se nodos num grafo de interesse público. Assim como os alicerces digitais e o sistema nervoso das cidades, o fluxo de dados em torno do Festival revela quais elementos atraem cargas maiores de atenção e, consequentemente, onde se concentram as oportunidades para patrocinadores, programadores e plataformas de streaming.
Em síntese, Sanremo 2026 está ocorrendo tanto no Ariston quanto nos motores de busca — e, na arquitetura desse ecossistema, os duetos e os nomes de convidados ocupam, neste momento, posições de destaque no mapa de interesse público.






















