O setor de audiovisual e conteúdos na Itália está próximo de um ponto de inflexão: economicamente robusto, mas ainda preso a práticas de seleção fragmentadas que drenam eficiência. Com um valor que se aproxima dos 50 bilhões de euros para o conjunto do ecossistema de mídia — e mais de 16 bilhões apenas no audiovisual nacional —, o mercado revela uma contradição estrutural: forte geração de valor com um sistema de acesso a talentos fortemente dependente de redes informais, boca a boca e canais não estruturados.
Essa dispersão cria desperdício de capital humano e custos operacionais elevados para produções, agências e empresas internacionais que operam na Itália. Em termos de arquitetura socioeconômica, é como ter uma malha elétrica densa, porém com subestações e transformadores mal documentados: o fluxo existe, mas a distribuição é ineficiente e sujeita a perdas.
No contexto de otimização desses fluxos, estreou em 15 de janeiro de 2026 a plataforma Cinple, projetada para atuar como um hub que conecta oferta e demanda de forma centralizada. A proposta é reduzir as chamadas assimetria informativa por meio de uma infraestrutura digital que agrega perfis profissionais verificados e algoritmos de matching orientados por competências. Em termos de sistema, a plataforma funciona como um nó de roteamento: classifica, verifica e direciona talentos para projetos com maior eficiência.
O objetivo declarado do projeto é substituir modelos de seleção envelhecidos por mecanismos que valorizem o capital humano de maneira meritocrática, reduzindo custos de intermediação e tempo de contratação. Essa abordagem tende a melhorar a transparência do mercado, diminuindo a fragmentação e potenciando a capacidade competitiva do setor italiano em um cenário internacional cada vez mais exigente.
O time fundador é composto por Leonardo Rosalba, Elisa Campodonico, Alessio Nisati e Filippo Prevete. O projeto foi beneficiado por financiamento da Invitalia no âmbito de apoio a nova iniciativa empreendedora e, posteriormente, atraiu capital privado que elevou a captação a aproximadamente 300.000 euros — um sinal claro de validação econômica para soluções que aumentam a clareza e a eficiência no setor cultural.
Além da função operacional imediata de conectar perfis a vagas, a roadmap da Cinple inclui serviços de formação e networking profissional. Essa trajetória de médio e longo prazo visa criar camadas adicionais de inteligência no ecossistema — formação contínua, curadoria de talentos e oportunidades de reinserção em projetos — fortalecendo a resiliência e a qualidade do capital humano disponível.
Para quem observa a transformação digital como um trabalho de engenharia urbana aplicada à economia criativa, a plataforma representa um dos alicerces digitais necessários: não uma solução espetacular, mas uma infraestrutura prática que melhora o fluxo de dados entre produtores e profissionais. O endereço de acesso é www.cinple.it, com presença ativa nas redes profissionais e sociais onde compartilha atualizações e dinâmicas do setor.
Em suma, a digitalização do recrutamento criativo via plataformas como a Cinple não é apenas um ajuste operacional; é uma intervenção sistêmica que pode reduzir atritos, economizar tempo e tornar o mercado italiano de conteúdos mais transparente e competitivo no mapa europeu.






















