Em 2025 o Centro Nacional Anticrime Informático para a Proteção das Infraestruturas Críticas (CNAIPIC) — que celebrou o 20º aniversário — consolidou-se como peça-chave na prevenção e gestão de incidentes complexos de cibersegurança. Segundo o relatório anual da Polícia Postal, o modelo operativo integrado do Centro combinou direcionamento estratégico, coordenação e capacidades operacionais diretas, apoiado pela rede territorial dos Nuclei Operativi per la Sicurezza Cibernetica (NOSC), imprescindíveis para o tratamento das notificações e a primeira resposta.
No total do último ano foram registadas 9.250 ocorrências de ataques informáticos, evidência da elevada pressão cibernética sobre o país. Para mitigar estas ameaças, o Centro emitiu mais de 49.000 alertas dirigidos à proteção dos sistemas de interesse nacional. Atuando como ponto de contacto nacional e internacional para o monitoramento e gestão de eventos, o CNAIPIC respondeu a 47 pedidos de cooperação internacional, que culminaram na identificação e no encaminhamento às autoridades de cerca de 169 indivíduos.
Nos eventos jubilares, o Centro assegurou os serviços de segurança informática em estreita coordenação com outras entidades, utilizando war rooms dedicadas para garantir a partilha imediata de informações e o rápido contenção de ameaças. Essa arquitetura de resposta funcionou como um chassi robusto, permitindo aceleração das decisões e estabilidade operacional sob pressão.
A unidade de Polícia Postal e Segurança Cibernética reforçou as atividades preventivas e investigativas, ampliando o monitoramento OSINT do ecossistema web e conduzindo investigações focadas na interseção entre radicalização e espaço digital. O ano foi marcado por um aumento das ameaças híbridas ligadas às tensões geopolíticas, com impacto direto na segurança interna.
Houve intensificação do combate às ameaças econômico‑financeiras, com desenvolvimento de competências analíticas sobre fluxos financeiros, cripto‑assets e fraudes digitais. O relatório destaca que o cibercrime econômico‑financeiro permaneceu central: foram tratados 27.085 casos, com 4.489 pessoas indiciadas.
Outro vetor de preocupação crescente foi a utilização da inteligência artificial — em particular os deepfakes — que sofisticaram as tentativas de fraude contra cidadãos, levando à proposta de criação de uma nova tipificação penal específica. A emergência destes vetores exige atualização legislativa e afinação das ferramentas investigativas, como se ajusta a calibragem de um motor para recuperar rendimento em rotações elevadas.
O Centro Nacional para o Combate à Pedopornografia Online (CNCPO) reafirmou seu papel central na proteção de menores e pessoas vulneráveis. Apoiado pela Unidade de Análise do Crime Informático — uma equipa de psicólogos funcionais da Polícia de Estado — o CNCPO orientou ações operacionais direcionadas e qualitativas, priorizando investigações que combinam tecnologia e sensibilidade humana no tratamento de vítimas.
Em síntese, 2025 foi um ano de aceleração das capacidades institucionais em cibersegurança: melhores mecanismos de alerta, cooperação internacional ampliada, investigação especializada em crimes econômicos e adaptação a ameaças alimentadas por IA. Para o setor público e privado, a mensagem é clara: é necessária uma calibragem contínua das defesas e um investimento estratégico em inteligência e competências, para que o “motor da economia digital” mantenha desempenho e resiliência diante de ameaças cada vez mais sofisticadas.






















