Centros de Competência ganham apoio unânime para impulsionar a inovação segura
Em uma conferência realizada na Camera dei Deputati, o sistema dos Centros de Competência reafirmou-se como um dos alicerces estratégicos da soberania digital italiana. O encontro, intitulado “Competence Center. Un contributo all’innovazione sicura del Paese”, deixou claro um consenso bipartidário sobre a necessidade de reforçar os oito centros criados em 2018 sob a tutela do MIMIT.
Os Centros de Competência funcionam como parques tecnológicos distribuídos pelo território, onde parcerias público-privadas conectam universidades, centros de pesquisa e o tecido empresarial. Sua missão operacional é acelerar a digitalização das empresas, com ênfase crescente em Inteligência Artificial e cibersegurança, áreas em que o centro START4.0 apresentou resultados práticos obtidos ao longo dos últimos anos.
O deputado Guerino Testa, idealizador do evento, enfatizou que em temas estruturais como a digitalização não cabe fragmentação política: “não deve haver divisão partidária ou ideológica, nem entre oposição e maioria, porque se trata do presente e do futuro do país”. A frase reflete uma visão de Estado onde a tecnologia é vista como infraestrutura nacional, tão crítica quanto as redes de energia ou os transportes.
Na prática, o apoio político deverá se transformar em medidas concretas. O deputado Federico Mollicone, presidente da Comissão Cultura, Ciência e Istruzione, anunciou a abertura de um inquérito conoscitivo parlamentar sobre o setor. O objetivo é identificar barreiras e propor caminhos para acelerar o fluxo do conhecimento da pesquisa para a indústria, simplificando processos burocráticos — do registro de patentes à aplicação industrial.
“Os Centros de Competência não são apenas nós tecnológicos; são ecossistemas de conhecimento capazes de transformar pesquisa em valor real e segurança para o sistema-país”, afirmou Mollicone, propondo um ciclo de audições que inclua os responsáveis por entidades como o START4.0.
A deputada Giulia Pastorella também reforçou o apoio ao modelo, afirmando que a valorização de competências e investimentos direcionados são essenciais para ampliar a autonomia estratégica e apoiar as PME. Nesse sentido, a recente Lei 132/2025 sobre Inteligência Artificial atribui papel central aos Centros de Competência, que deverão colaborar com agências como a AgID e fundos como o CDP Venture Capital para operacionalizar políticas de IA seguras e éticas.
Roberta De Donatis, Responsável Executiva do START4.0, sublinhou que os centros são a ferramenta escolhida pelo MIMIT para acompanhar as empresas na transição digital: “oferecemos know-how, rede e serviços para tornar a inovação acessível, segura e sustentável, especialmente para as PMEs”. O capital mais valioso, segundo De Donatis, é a experiência acumulada e o enraizamento territorial — um tipo de infraestrutura humana e técnica pronta para ser mobilizada em projetos estratégicos.
Do ponto de vista sistêmico, fortalecer os Centros de Competência equivale a reforçar o sistema nervoso das cidades e das cadeias produtivas: integrar camadas de conhecimento e dados para que a inovação deixe de ser uma peça isolada e passe a ser uma rede coerente de valor para o país.





















