Alberto Conti, líder do ranking italiano e segundo colocado no ranking europeu de 2025, trouxe ao European International Championships em Londres uma leitura tática que vale como estudo de caso sobre como a alta competição em jogos de cartas se organiza hoje. O jogador de Bergamo transformou a participação em torneios em uma atividade profissional — com mais de 25.000 dólares em prêmios acumulados — e foi além: deixou o emprego anterior para se dedicar integralmente ao circuito Play Pokémon. Essa mudança é sintoma de um fenômeno maior, em que a competição estruturada sobre cartas se comporta como uma infraestrutura profissionalizada, com rotinas, investimentos e retornos mensuráveis.
Na prática, a escolha do baralho para Londres foi o ponto de inflexão. Contra a tradição de optar por opções “seguras” testadas em outros eventos, Conti privilegiou uma estratégia mais arrojada: jogou com Grimmsnarl. A preparação diária iniciada em dezembro serviu como a camada de afinação necessária para transformar essa aposta em um artefato competitivo funcional. O resultado: um lugar entre os Top 64 — um desempenho que, mesmo não sendo o pico desejado, confirma a capacidade de adaptar e iterar estratégias sob pressão.
Do ponto de vista metodológico, Conti adota um protocolo que lembra os ciclos de manutenção de infraestruturas complexas: executar, monitorar, analisar falhas e aplicar correções. “Londres é, certamente, uma das etapas mais importantes do circuito e por isso a escolha do baralho é a mais complexa da temporada”, comentou ele, justificando a opção por uma via menos conservadora. O jogador admite que subestimou um matchup específico, que gerou duas derrotas que classifica como evitáveis — um erro técnico e tático que agora faz parte do laboratório de aprendizagem.
A dimensão pessoal dessa carreira também se integra ao circuito competitivo: além da reestruturação profissional, Conti conheceu sua companheira durante a edição anterior do campeonato mundial, um lembrete de como as redes humanas e profissionais se entrelaçam nas arenas internacionais. A dedicação total exigida pelo circuito é comparável a outras disciplinas de alto rendimento, onde o investimento temporal e emocional cria um sistema nervoso social que alimenta resultados tangíveis.
Mais do que o posicionamento no placar, o que define a abordagem de Conti é uma priorização da evolução técnica contínua. Ele enfatiza: “Gosto sempre de fazer uma análise de cada torneio ao final do fim de semana, para entender o que funcionou e o que não funcionou”. Essa disciplina de revisão é equivalente ao monitoramento de rede em tempo real: identificar gargalos, isolá-los e aplicar patches.
Economicamente, a transformação da atividade agonística em profissão mostra como camadas de talento, capital e visibilidade convergem para criar oportunidades sustentáveis dentro do ecossistema do jogo. Psicologicamente, a resiliência aparece como pilar central do método de Conti: não se trata apenas de buscar a vitória imediata, mas de mapear erros e consolidar conhecimento.
Ao retornar da etapa londrina, Conti leva na bagagem mais dados, ajustes e confirmações metodológicas. “Do internacional volto realmente satisfeito, porque o trabalho intenso do último mês e meio foi importante durante o evento”, conclui, reforçando a máxima que orienta sua trajetória: o importante não é apenas vencer, mas entender onde se errou para construir uma base mais sólida para as próximas competições.






















