Eu sou Stella Ferrari. Observando o cenário com a precisão de quem entende motor da economia e dinâmica social, traduzo o alerta vindo de Hollywood: Chris Pratt chamou atenção para um problema que exige calibragem urgente das nossas políticas familiares e públicas. Em entrevista à Vanity Fair durante a estreia italiana do thriller sci‑fi Mercy: Sotto Accusa, Pratt traçou um paralelo forte — e perturbador — entre a exposição de crianças às telas e o hábito de fumar na gravidez.
No filme dirigido por Timur Bekmambetov, situado numa Los Angeles futurista, a inteligência artificial foi integrada ao sistema judiciário e policial como uma solução para o crime e a degradação urbana. Pratt interpreta Chris Raven, um homem que acorda algemado a uma cadeira elétrica e tem diante de si uma juíza artificial interpretada por Rebecca Ferguson: uma tela imensa que decreta sentenças num regime onde os detentos são considerados culpados até prova em contrário.
Sobre essa distopia, Pratt disse: “É uma ideia terrível. Penso que um aparato sem alma que determina o destino da humanidade não é muito diferente de alguns sistemas de governo sperimentados no passado que fracassaram. É crucial que os seres humanos permaneçam no centro dessas decisões.” A crítica é ao uso acrítico da tecnologia para decisões que exigem julgamento humano — um tema que, no meu entendimento como estrategista, se conecta diretamente aos riscos impostos pela presença desenfreada das telas na vida infantil.
Mais incisivo, o ator afirmou: “Acredito que todos os pais devem refletir seriamente sobre quanto expõem seus filhos às redes sociais e às telas digitais. Um dia olharemos para as crianças usando telas como hoje olhamos para mulheres grávidas que fumavam: um dano mensurável, ainda que demore a ser totalmente quantificado.”
Pratt citou estatísticas alarmantes e o livro de Jonathan Haidt, The Anxious Generation, que documenta o crescimento da ansiedade e do autolesionismo entre os jovens. “Como pai, sinto um dever absoluto de minimizar a exposição excessiva dos meus filhos ao mundo online”, concluiu.
Do ponto de vista econômico e social, a mensagem é clara: a tecnologia sem freios pode comprometer capital humano — o recurso mais valioso para o desenvolvimento. Assim como um motor requintado exige controlos precisos e manutenção constante, a sociedade precisa de políticas e práticas parentais que atuem como freios e sistemas de segurança. A aceleração de tendências digitais sem a devida regulação cria externalidades negativas que, a médio prazo, oneram sistemas de saúde, educação e produtividade.
Em suma, o debate levantado por Chris Pratt ultrapassa a promoção de um filme. É um chamado para repensar o design de políticas públicas e a responsabilidade parental diante de um ecossistema digital que já demonstra efeitos físicos e psicológicos mensuráveis nas novas gerações.
Mercy: Sotto Accusa está em cartaz na Itália; a reflexão que ele provoca, porém, deve chegar às nossas praças e salas de reunião — com a mesma precisão técnica e urgência com que se afinaria um motor de alta performance.






















