Por Aurora Bellini, La Via Italia
Se continuarmos no ritmo atual, as metas de energias renováveis para 2030 correm o risco de se transformar numa promessa distante — alcançada só daqui a um século. Em 2020, a nova potência instalada proveniente das energias renováveis ficou abaixo de 1 GW. Esse dado, combinado com o platô observado entre 2015 (ano do Acordo de Paris) e 2020, revela um ritmo médio de crescimento **insuficiente** para atingir os números previstos pelo Pniec italiano.
O resultado é um descompasso preocupante: estima-se um gap tendencial até 2030 de mais de 40 GW para o fotovoltaico e de 8 GW para o eólico. Com o recente objetivo europeu de redução de emissões de CO2 em 55%, a necessidade torna-se ainda mais urgente: para chegar a 70 GW de fotovoltaico em 2030 seriam necessários acréscimos de cerca de 5 GW/ano; para atingir 26 GW de eólico, precisaríamos de 1,6 GW/ano. Em termos práticos, é preciso multiplicar a tendência atual por um fator 7 no fotovoltaico e duplicá-la no eólico. Parece ficção científica, se não houver uma virada estratégica.
Além disso, não podemos negligenciar as outras fontes renováveis, em especial as térmicas, cuja relevância estratégica e numérica é substancial.
Uma estratégia construída desde a base
É tempo de iluminar novos caminhos: a transição exige uma estratégia compartilhada com os atores locais e setoriais, não uma imposição burocrática de cima para baixo. O atual PNRR (Piano Nazionale di Ripresa e Resilienza) recebe críticas relevantes nesse ponto — e, da perspectiva da La Via Italia, algumas medidas são inderrogáveis para transformar intenção em impacto.
Primeiro, abandonar ferramentas do passado e apostar numa política industrial real e integradora. Isso implica aplicar de forma completa a economia circular para gerar valor e emprego, especialmente em setores como mobilidade sustentável, eólico offshore e hidrogênio verde. Segundo, enfrentar com coragem o nó do processo autorizativo, que há anos freia a expansão das renováveis. É preciso simplificar procedimentos com foco local, cortando sobreposições e estruturas redundantes.
Ferramentas interconectadas e olhar social
Também é imprescindível que instrumentos como o Pniec e a Estratégia Italiana de Longo Prazo para redução de emissões sejam reescritos — não apenas em chave técnica, mas sobretudo em perspectiva social. Uma transição que não convence comunidades, empresas e administrações locais corre o risco de naufragar. A La Via Italia tem defendido, em diálogo com stakeholders, propostas concretas para alinhar metas e práticas.
Em suma, a travessia rumo a um horizonte límpido exige política clara, procedimentos ágeis e mobilização social. Devemos semear inovação e tecer laços entre ciência, indústria e território para que o futuro renovável deixe de ser promessa e se torne legado. Iluminar esse caminho é possível — basta que adotemos coragem institucional, visão coletiva e instrumentos operacionais integrados.
Nota: a análise aqui apresentada sintetiza dados recentes sobre capacidade instalada e trajetórias necessárias até 2030, e propõe orientações práticas para que o PNRR e o Pniec deixem de ser meros documentos e se transformem em políticas vivas.






















