Por Aurora Bellini — A Europa começa a revelar, com mais clareza, o brilho de uma alternativa econômica que põe o bem comum no centro. A economia social reúne cooperativas, empresas sociais, associações, fundações e sociedades de ajuda mútua que, juntas, formam um ecossistema robusto e comprometido com objetivos coletivos. São, segundo os dados recentes, 4,3 milhões de entidades que empregam cerca de 11,5 milhões de trabalhadores em diversos setores.
Essas organizações atuam em áreas essenciais — serviços sociais e de saúde, educação e formação juvenil, inovação industrial, coesão territorial, combate à pobreza e às desigualdades, proteção civil, finanças responsáveis, oferta habitacional, autonomia energética e energias limpas, digitalização, agricultura sustentável e economia circular. O impacto econômico é substancial: o conjunto registra um faturamento anual estimado em 912 bilhões de euros, com regras que incentivam o reinvestimento da maior parte dos lucros em benefício dos sócios ou da comunidade.
No horizonte institucional, a Comissão Europeia recebeu a missão de alavancar esse setor. A vice‑presidente executiva com a delegação para Direitos Sociais, Qualificações, Trabalho de Qualidade e Formação, Roxana Mînzatu, foi indicada para coordenar a implementação do Plano de Ação para a Economia Social no mandato 2024–2029. O objetivo é inserir a economia social nas políticas industriais e na transição verde, garantindo que a sustentabilidade e a justiça social não sejam meros slogans, mas vetores de transformação estrutural.
A governança desse movimento também passa por instrumentos parlamentares: comissões específicas e um Intergrupo para a Economia Social reúnem parlamentares de diferentes orientações políticas para construir uma agenda comum. É um trabalho de arquitetura política que busca iluminar novos caminhos para políticas públicas mais equitativas e eficazes.
Um pouco de contexto histórico ajuda a entender por que esse tema ganhou urgência. Em 2017, a Comissão Europeia adotou o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, uma agenda em vinte pontos que estabeleceu bases para igualdade de oportunidades, condições de trabalho decentes e proteção social. A experiência demonstrou que as desigualdades corroem a eficiência econômica: castelham talentos, freiam a demanda e minam a coesão — um freio ao crescimento que a própria economia não pode ignorar.
Na curadoria da La Via Italia, alinhada às observações de atores do setor como a plataforma Social Economy Europe, fica claro que a atenção à dimensão social nas políticas europeias nasce, em grande parte, de preocupações econômicas concretas. Promover justiça social é também uma estratégia para fortalecer competitividade, resiliência e inovação.
O desafio, agora, é transformar diagnósticos e intenção política em instrumentos práticos: financiamento adequado, quadros regulatórios que reconheçam a especificidade das organizações sociais, capacitação e colaboração público‑privada. Quando bem organizadas, essas iniciativas podem semear inovação e tecer redes de proteção que ampliem oportunidades sem deixar ninguém para trás — uma luz prática num horizonte que exige coragem e método.
Enquanto a União Europeia desenha seu roteiro para a próxima década, a economia social surge como uma promessa realista de desenvolvimento que prioriza pessoas e planeta. Iluminar esse caminho é também cultivar um legado onde prosperidade e solidariedade crescem juntas.





















