Por Aurora Bellini — Aos 26 anos, Cristina Castronovi carrega na bagagem uma formação acadêmica sólida — uma graduação em Sociologia e uma especialização em Criminalidade, Investigação e Segurança Internacional — e um desejo claro: fazer algo concreto pelo outro. Essa busca a levou, nos dias iniciais da invasão da Ucrânia, a comprar uma passagem para a Polônia e partir para a fronteira apenas dez dias após o começo da guerra.
Ela e uma amiga chegaram sem apoio institucional, com um B&B reservado perto da fronteira e dinheiro reunido entre amigos e parentes em Taranto. “Se não fosse nada mais, ao menos abraçaríamos as crianças, compraríamos suco”, lembra Cristina. Foi assim que começou a descoberta de que voluntariado nem sempre significa apenas distribuir bens materiais: às vezes é estar presente, olhar nos olhos de quem perdeu tudo.
Mais tarde, Cristina passou a colaborar com a Operazione Colomba, o corpo não violento de paz da Comunità Papa Giovanni XXIII, que atua ao lado de populações civis em zonas de conflito. Retornar à Ucrânia com esse grupo, em especial às cidades de Mykolaiv e Kherson, transformou uma ação espontânea em um compromisso contínuo.
“Nós não levamos só pacotes de mantimentos: somos presença ao lado de quem fica. Construímos laços que resistem ao tempo e ao medo”, explica Cristina. Um desses laços nasceu dentro de um bunker em Mykolaiv, onde ela conheceu Bogdan, um menino de nove anos que perdeu o pai na linha de frente e teve a casa destruída. “Ele ainda não sabe ler, nunca voltou à escola. Brincava com um patinete pequeno demais para ele. Me abraçou assim que nos vimos; desde então, corre ao meu encontro cada vez que volto”, conta ela.
Cristina voltou à Ucrânia pelo menos três vezes. Com o passar dos meses, ficou claro para ela que o impacto maior não vem de gestos isolados, mas da presença coletiva. “As pessoas nos disseram: ‘Bem-vindos de volta para casa’. Não sei ao certo o que isso significa. Talvez dividir um pouco da dor e um pouco da alegria”, reflete.
Hoje, enquanto busca uma vaga profissional no setor humanitário, Cristina trabalha como atendente em uma loja de roupas em Taranto. Ainda assim, ela vê o voluntariado como uma força cívica indispensável. “Se falta a mobilização de base, tudo desaba: a política internacional não basta. O voluntariado mantém viva a humanidade nos conflitos”, afirma, com a convicção de quem semeia cuidado onde a sombra da guerra insiste em permanecer.
Essa história ilumina caminhos possíveis: o trabalho de quem escolhe ficar ao lado dos que sofrem é um fio de luz que tece redes de proteção e esperança. Para Cristina, o compromisso solidário é sacrifício e também sentido — uma bússola moral que orienta seu percurso entre estudos, trabalho e missões de paz.































