Na primeira edição de 2026 do programa È sempre CartaBianca, a jornalista Bianca Berlinguer abriu o programa usando um par de óculos de sol chamativos. Ainda no início da transmissão, a apresentadora fez questão de esclarecer a razão: “Vi chiedo scusa da subito, ho dovuto fare un piccolo intervento all’occhio” — ou seja, ela pediu desculpas e explicou que teve uma pequena intervenção no olho.
Berlinguer acalmou possíveis especulações sobre sua condição: “Nada de grave”, disse, acrescentando que ainda é cedo para suportar as luzes fortes do estúdio, que podem ser desconfortáveis no pós-operatório. “Portanto, durante toda a puntata usarei estes óculos um pouco mais escuros”, afirmou com a compostura que lhe é habitual.
Minutos depois, no seu bloco semanal, o escritor Mauro Corona apareceu em ligação usando também um par de óculos de sol. Em tom leve, Berlinguer perguntou: “Che ha fatto?”. Corona respondeu: “Li indosso per solidarietà”. A apresentadora ironizou: “Preferivo fare a meno di questa sua solidarietà. Entrambi con gli occhiali è un po’ troppo” — e ele replicou que então os tiraria, entre brincadeiras sobre sua voz rouca e possíveis causas, como ter passado a noite acordado ou por uma bronquite.
O diálogo descontraído deu lugar a um debate mais sério durante a emissão. Corona abordou o tema do fim de vida com a condução sensível de Berlinguer e com a participação de Diego Dalla Palma. Ele afirmou que, se chegar ao ponto em que a vida não seja mais aceitável, deseja decidir por si mesmo: “Ho già tutto il piano pronto, sono anni”. Em sua visão, é necessário melhorar não apenas a condição da vida, mas também “la condizione della morte”.
“Ho visto un amico passare due mesi tra i contorcimenti, non gli faceva più effetto nemmeno la morfina. Chiesi al dottore di farlo fuori, di aiutarlo a smettere di soffrire, ma mi fu risposto che la vita è sacra e non si può” — disse Corona.
O episódio demonstrou uma calibragem fina entre deslumbre televisivo e assuntos de alta carga humana. Como estrategista que observa mercados e comportamentos públicos, noto que figuras públicas bem preparadas — como um bom motor calibrado — sabem reduzir o atrito de temas sensíveis com transparência e sobriedade. Berlinguer conduziu o programa com a elegância esperada, gerenciando a atenção do público sem transformar um pequeno problema de saúde em folhetim.




















