Claudio Fasulo, vice-diretor de Entretenimento Prime Time da Rai, antecipou: “Nesta noite falaremos de dependências juvenis, de álcool, drogas, do universo digital com Vincenzo Schettini que estará conosco”. A presença do professor e divulgador no palco de Sanremo chega em um momento em que sua imagem foi colocada sob escrutínio nas redes — boatos circularam sobre uma possível ausência, depois desmentida.
Vincenzo Schettini é professor de física, youtuber, divulgador científico e apresentador de TV, conhecido pelo projeto “La Fisica che ci Piace“. Sua participação no festival tem um tom diferente: não é entretenimento vazio, mas uma intervenção sobre o que o palco e a audiência podem refletir sobre os desafios contemporâneos dos jovens.
As recentes polêmicas surgiram após declarações do professor no podcast BSMT, de Gianluca Gazzoli, que foram interpretadas por alguns como admissão de práticas inadequadas em sala de aula. A acusação anônima, em especial, alegava que ele teria exigido visualizações nas transmissões ao vivo em troca de notas mais altas. Schettini respondeu com clareza: “Se eu realmente tivesse forçado meus alunos, especialmente com a atenção que os pais dedicam à escola, teria chegado alguma reclamação, uma sinalização. Na escola, nos últimos anos, não chegou nada contra mim, apenas elogios e, nos últimos dias, tantas manifestações de solidariedade, manifestações de afeto lindíssimas. Quando saí ontem da escola, os alunos estavam todos ali a me aplaudir”.
Sobre o termo usado — “forçava” — o professor admite que foi infeliz: “Provavelmente foi mal interpretado. Nunca forcei ninguém, o tom era irônico”. Ele frisa que sua prática pedagógica “está e esteve sob os olhos de todos por anos, nunca ninguém disse nada, falo das instituições, da escola, do Ministério”. Além disso, o Ufficio scolastico regionale não registrou, até o momento, nenhuma denúncia formal contra ele.
Em tom propositivo e cauteloso, Schettini informou que consultou advogados e está considerando medidas legais contra quem divulgar informações falsas. Ao mesmo tempo, promete retorno à produção de conteúdo online: “Em breve voltarei com novos conteúdos, porque essa história me deu outras ideias”, disse, sinalizando que o episódio pode se transformar em um novo roteiro de engajamento educativo.
É curioso observar como um festival musical como Sanremo torna-se, temporariamente, um microfone para debates sociais — um espelho do nosso tempo onde o espetáculo e a responsabilidade social se encontram. Trazer para o palco a discussão sobre dependências juvenis — do álcool ao universo digital — é reconhecer que o entretenimento é também cenário de transformação: uma espécie de roteiro oculto da sociedade que, por vezes, fala mais alto quando a plateia é numerosa.
Enquanto as instituições não registram queixas formais e o docente reúne apoio, a narrativa pública segue em transformação. Schettini, figura que transita entre a sala de aula e as plataformas digitais, personifica hoje a tensão entre autoridade pedagógica e cultura do engajamento online — uma semiótica do viral onde limites, ética e pedagogia conversam em voz alta.






















