Roberto Vannacci, o general que passou do uniforme para a arena política, reapareceu esta manhã em Sanremo e confirmou sua presença na plateia para a noite das cover do Festival de Sanremo. É a segunda vez consecutiva que lhe é reservado um assento para acompanhar a homenagem aos clássicos: um gesto repetido por quem o convidou — o chefe do grupo e secretário municipal da Lega em Sanremo, Daniele Ventimiglia.
Em conversa com o Corriere, Vannacci declarou com a contundência habitual que o Festival “expressa nossa italianidade no melhor sentido” e que “a canção italiana faz parte do nosso patrimônio”. A preferência musical do general revela continuidade com um cânone cancionístico: nomes como Fabrizio De André, Francesco Guccini, Edoardo Bennato e Lucio Dalla são citados entre suas predileções — referência direta a uma tradição de autor que construiu a memória cultural do país.
Até então, Vannacci não havia acompanhado o andamento do Festival, mas planeja apreciar o espetáculo “esta noite, sentado confortavelmente na plateia”. O assento foi novamente reservado por Ventimiglia, que sublinha o vínculo pessoal: “O general é um amigo desde antes de ele entrar na política — é e continuará sendo”. Ventimiglia, porém, é cauteloso sobre a hipótese de filiação ao novo projeto político de Vannacci: “Por enquanto, estou onde estou”, afirmou, afastando rumores imediatos de mudança de siglas.
Também hospedado no Hotel Nazionale, onde Vannacci passou a manhã, o general realizou uma reunião com simpatizantes. Entre os presentes, além de Ventimiglia, estava o deputado Mario Borghezio, conhecido por posições mais duras e conservadoras. A confluência de figuras desta natureza dá cor ao cenário político em torno da visita — lembrando que, para muitos, a presença em eventos culturais é também um gesto de sinalização pública.
Sobre as discussões em curso na política italiana relativas às uniões entre pessoas do mesmo sexo e à transexualidade, Vannacci reafirmou posições de resistência: disse não considerar essas questões como expressões de um “direito civil”. Em uma imagem contundente — que funciona como reframe de seu argumento — afirmou que, se bastassem percepções pessoais para definir direitos, “também eu poderia reivindicar o direito civil de me considerar dezoito anos, mesmo sem sê-lo”.
Apesar do alinhamento ideológico com algumas personalidades do espectro conservador, Vannacci preferiu manter abertas as possibilidades sobre futuras alianças políticas: “Ver-se-á — primeiro de tudo, há tempo antes de falar de alianças”. A declaração funciona como um interlúdio estratégico, deixando o roteiro político em aberto enquanto a narrativa pública segue se desenrolando sob os holofotes do Festival.
Do ponto de vista cultural, a presença de Vannacci na plateia do Festival de Sanremo volta a lembrar que eventos como este atuam como espelho do nosso tempo: cruzam memória, identidade e disputa simbólica. Não são meramente espetáculos; são cenários onde se encenam pertences, patrimônios e rupturas. E, nesta noite de covers, a plateia — sempre um microcosmo social — promete mais um capítulo dessa dramaturgia pública.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















