Chiara Lombardi para La Via Italia — Em um movimento que parece escrito como cena de um roteiro cuidadosamente composto, Ultimo revelou nas suas redes sociais o novo single “Acquario”, agora disponível em rádios e plataformas digitais. O lançamento, anunciado com o mesmo gesto de enigma que tem marcado a sua comunicação — um cartoncino lenticular incluído nas cópias de Ultimo Live Stadi 2025, onde alternavam-se o símbolo do infinito e o signo de Aquário — prevê com precisão o efeito visual e emocional que a canção já vem causando.
Nas poucas horas seguintes à publicação, “Acquario” pulverizou recordes: alcançou o primeiro lugar em Alta Rotação no Spotify e acumulou visualizações expressivas no YouTube. É um reflexo do momento em que a música popular se encontra com a máquina de atenção contemporânea — um verdadeiro reframe do consumo musical, em que um single se transforma em ponte direta para um acontecimento maior.
Esse acontecimento é o que se anuncia como o ponto alto do próximo ano na carreira do cantautor romano: Ultimo 2026 – La Favola per Sempre, o show monumental marcado para 4 de julho de 2026, no palco do Roma – Tor Vergata. O chamado Raduno degli Ultimi teve impressionantes 250.000 ingressos vendidos em apenas três horas — um sold-out que confirma esse capítulo como possivelmente o maior concerto da história pessoal do artista e um dos mais significativos da música italiana contemporânea.
Há simbolismo no calendário: a escolha do dia 4 de julho não é casual; evoca o primeiro Stadio Olimpico onde Ultimo apresentou La Favola em 4 de julho de 2019. É uma reprise carregada de memória e intenção, como se o artista revisitasse a cena inaugural de um filme para filmar a sequência em tecnicolor. O evento servirá também para celebrar os 10 anos de carreira do cantor, que completa 30 anos em 27 de janeiro.
O domínio do artista no cenário ao vivo já estava cimentado antes mesmo desse novo anúncio. O mega-turnê “Ultimo stadi 2025 – La Favola continua…” registrou esgotos em nove datas com sete meses de antecedência e consagrou um marco histórico: com o show de 13 de julho de 2025 no Stadio Olimpico, Ultimo tornou-se o artista mais jovem a se apresentar dez vezes naquele templo da música romana.
Os números são, por si só, narrativa. Nascido em 1996, aos 30 anos Ultimo contabiliza 42 estádios em sua trajetória, com mais de 1.750.000 ingressos vendidos. Sua discografia, composta por seis álbuns, acumula 85 discos de platina e 18 discos de ouro, totalizando mais de 7 milhões de cópias vendidas e mais de 3,5 bilhões de streams no Spotify. É um espetáculo de dados que registra tanto o alcance quanto a fidelidade de um público que responde em massa — o coro que transforma singles em hinos e arenas em memória coletiva.
Como observadora do zeitgeist, vejo em “Acquario” mais do que um sucessor de hits: trata-se de um novo sinal no vocabulário simbólico do artista, que combina memória, rituais de fã e marketing cultural para escrever capítulos cada vez maiores na história recente da música italiana. O single é, portanto, tanto ponto de chegada quanto porta de entrada para a narrativa que culminará em julho de 2026 — um espetáculo cujo roteiro já se esboça entre cifras, símbolos e expectativas.































