Tony Dallara, ícone da música italiana, morreu na última sexta-feira aos 89 anos. A notícia da perda abrupta ganhou um tom de inquietação após o depoimento público de sua filha, Lisa, que, em entrevistas televisivas nesta segunda-feira, 19 de janeiro, levantou dúvidas sobre a sequência de cuidados médicos que antecederam o falecimento.
Em ligação ao programa Storie Italiane, apresentado por Eleonora Daniele, Lisa explicou que o pai havia sofrido a fratura do fêmur e sido submetido a cirurgia. Após o procedimento, ele foi encaminhado para uma estrutura de reabilitação para a recuperação, onde, segundo a filha, contraiu um vírus que desencadeou um quadro respiratório grave e, em poucos dias, a situação se deteriorou de forma inesperada.
A apresentadora perguntou então sobre os detalhes do internamento e das transferências, e a resposta de Lisa deixou no ar a possibilidade de uma suposta falta de assistência. “Não foi muito clara a situação, até porque não teve uma assistência hospitalar ótima”, disse ela, ressaltando que, por causa das festas de fim de ano, a comunicação e a continuidade dos cuidados pareceram comprometidas. “Nos diziam: ‘ele tem 89 anos… então deixe-o em paz’ — palavras que nos feriram profundamente”, afirmou.
A reação de Eleonora Daniele foi visceral: “Disseram isso? ‘Ele tem 89 anos… então?’ Que tipo de argumento é esse?” Ao encerrar a entrevista, a jornalista questionou se a família pretendia apresentar uma denúncia formal. “Veremos… estamos num momento em que tudo nos caiu em cima e não temos lucidez. Faremos nossas avaliações”, respondeu Lisa, escolhendo cautela diante da dor imediata.
Poucas horas depois, Lisa participou também do programa La Volta Buona, com Caterina Balivo, onde reiterou o mesmo relato: o ferimento no fêmur, a operação, a transferência para reabilitação, a contaminação por um vírus pulmonar e a rápida evoluação para um quadro de agravamento. Segundo ela, apesar da internação de emergência no hospital, pouco foi feito porque os profissionais alegaram a idade avançada e doenças pré-existentes do cantor, pedindo que a família “o deixasse um pouco em paz”.
Os últimos dias de Tony Dallara foram descritos por sua filha como especialmente dolorosos: ele estava sem energia, com dificuldade para falar e praticamente incapaz de se expressar. “Foi dilacerante”, confessou. A família, ainda enlutada, avalia agora os próximos passos legais e administrativos, enquanto lida com o luto e a necessidade de entender a cronologia dos acontecimentos.
Para além do episódio familiar — e da possível investigação sobre cuidados médicos —, a história de Tony Dallara reverbera como um espelho cultural: questiona-se a relação entre envelhecimento, medicina e dignidade, e como, muitas vezes, as rotinas institucionais e o calendário festivo podem alterar o curso dos cuidados. É um roteiro que nos obliga a olhar para o sistema de saúde com o mesmo olhar crítico que dirigimos a um filme cuja trama, à primeira vista, parecia simples, mas cujo desfecho revela camadas ocultas de escolha e responsabilidade.
Enquanto as avaliações legais não se definem, permanece o legado musical de um artista que marcou gerações — e a inquietação legítima de uma família que busca respostas.





















