Quase completas, as The Voice Kids seguem desenhando o mapa dos talentos mirins do momento. Conduzido com simpatia por Antonella Clerici, o programa da Rai 1 avançou para mais uma noite de Blind Auditions, e agora faltam apenas duas edições para que as equipes fiquem definitivamente fechadas e o show entre no próximo ato: as Battles.
O que vemos nesta fase é, ao mesmo tempo, um repertório de vozes e um espelho do nosso tempo: jovens intérpretes que trazem memórias musicais da família, escolhas de repertório que reverberam identidades regionais e influências pop globais. Como uma cena cuidadosamente dirigida, cada Blind Audition revela não só o talento, mas também o roteiro oculto que determinará alianças entre coaches e prodígios.
Após a segunda noite, as formações parciais das equipes estão assim compostas:
- Team Arisa: Francesca, Angelo, Anna e Ginevra S. — nesta rodada, Arisa usou seu Superpass para garantir Ginevra S., movimento estratégico que pode alterar o eco cultural da competição.
- Team Loredana Bertè: Serena, Maya, Emma B., Ginevra, Briana e Riccardo — vale lembrar que, na primeira noite de Blind Auditions, Loredana Bertè já havia acionado seu Superpass em favor de Emma B., enviando-a diretamente à final e sublinhando o tom dramático e definitivo desse recurso.
- Team Nek: Giovanni, Emma M., Alessia, Adriana e Leonardo — um time que combina timbres variados, pronto para ser lapidado pelas escolhas do coach.
- Team Clementino-Rocco Hunt: Graziano, Francesco, Raffaello, Andrea e Michela — a dupla de coaches tem trabalhado como um duo de diretores, desenhando um repertório que mistura atitude e técnica.
As equipes serão oficialmente completadas ao término da quarta edição, marcada para 28 de janeiro. A expectativa agora é observar como cada coach utilizará seus instrumentos estratégicos — o Superpass, sobretudo — e de que forma as próximas seleções vão redesenhar o mapa competitivo antes das Battles.
Do ponto de vista cultural, o que torna este formato fascinante é a condensação de narrativas: cada escolha de coach é uma edição do roteiro coletivo que, episódio a episódio, nos oferece um refrão do zeitgeist. A performance de uma criança em palco pode ser lida como um microfilme, carregado de referências familiares e sociais, que explica por que certas vozes são imediatamente selecionadas pelos jurados e outras seguem em busca do seu lugar.
Nos próximos programas, será interessante observar se os Superpass serão usados com ousadia ou parcimônia, e como os coaches equilibrarão critérios técnicos e potenciais de mercado. Em suma, estamos diante de um cenário de transformação: as Blind Auditions funcionam como uma sala de edição em que se decide, timbre a timbre, o futuro sonoro desses jovens artistas.
Fique atento: com as equipes quase formadas, cada novo episódio tem o potencial de reconfigurar alianças e surpreender o público — exatamente como um bom roteiro cinematográfico deveria fazer.





















