Por Chiara Lombardi — Em um cenário que mistura vaudeville e telecinesia afetiva, The Muppet Show celebra meio século como espelho do nosso tempo: entretenimento que também é comentário social. A série, idealizada por Jim Henson, nasceu a partir de dois episódios-piloto produzidos para a ABC entre 1974 e 1975 e teve sua estreia oficial nos Estados Unidos em 1976. Para marcar os 50 anos, um especial já está disponível em streaming na Disney+, reunindo, além dos icônicos bonecos, convidados como a popstar Sabrina Carpenter e o ator e diretor Seth Rogen.
Mais do que nostalgia, a longevidade dos Muppets revela um roteiro oculto: personagens de espuma e pano operam como lentes para retratar absurdos, afetos e tensões culturais. O nome Muppet — frequentemente discutido como simples rótulo — tem origem prosaica e simbólica: a combinação entre “marionette” e “puppet”, um hibridismo que traduz a ambição estética de Henson, entre manipulação técnica e expressão emocional.
Outro capítulo dessa mitologia é a história do tema que virou hino de comportamento viral: “Mah-nà mah-nà”. Composta pelo músico italiano Piero Umiliani para o documentário Svezia: inferno e paradiso (Sweden: Heaven and Hell) na década de 1960, a melodia ganhou nova vida nas performances dos Muppets, transformando uma peça de soundtrack numa assinatura cultural global. A canção é um exemplo perfeito de como um fragmento sonoro pode funcionar como um refrão coletivo — a semiótica do viral antes mesmo da era digital.
Além do especial comemorativo na Disney+, a franquia também retomou a estrada com o tour Route 96, que levou o repertório ao público europeu e ao público italiano, reafirmando a natureza transnacional dos personagens. Para completar a efemeridade produtiva que resiste ao tempo, há expectativa em torno de um novo álbum, que promete atualizar a paleta sonora dos bonecos sem trair sua memória afetiva.
Aqui, sete curiosidades que recontam a epopeia dos Muppets como fenômeno cultural:
- Origem do nome: Jim Henson cunhou “Muppet” para definir suas criações híbridas — nem apenas marionetes, nem apenas fantoches.
- Do piloto à consagração: Os dois episódios-piloto (1974–75) prepararam o terreno para a estreia de 1976, quando a série conquistou audiências globais.
- O sucesso musical: “Mah-nà mah-nà”, de Piero Umiliani, passou do documentário italiano ao repertório universal graças às performances cômicas e contagiosas dos Muppets.
- Rostos famosos: O especial de 50 anos traz celebridades como Sabrina Carpenter e Seth Rogen, ilustrando a capacidade dos Muppets de dialogar com diferentes gerações.
- Turnê europeia: O Route 96 marcou a volta aos palcos na Europa e na Itália, mostrando que o formato vive tanto no streaming quanto ao vivo.
- Memória afetiva: Personagens como Kermit funcionam como arquétipos — pequenos espelhos que refletem ansiedades e ternuras coletivas.
- Atualização criativa: O novo álbum anunciado sugere um reframe sonoro: atualizações que preservam o DNA original enquanto dialogam com a cena contemporânea.
O impacto dos Muppets é mais do que cronológico: é um exercício de arquivo emocional. Enquanto alguns fenômenos culturais desaparecem como créditos finais, outros, como The Muppet Show, se reciclam através de covers, especiais e turnês — uma narrativa que reescreve o presente a partir da memória.
Para quem se pergunta por que os bonecos ainda nos comovem: talvez porque eles operam como projeções de humanidade sem pretensão de realismo, iluminando contradições com humor e afeto. Celebrar 50 anos dos Muppets é, assim, revisitar um catálogo de grotesco e ternura que continua a nos ensinar a olhar — com ironia e empatia — para o roteiro oculto da sociedade.






















