Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — Após a imprensa ouvir os concorrentes e publicar as primeiras avaliações, as casas de aposta Sisal mantêm Tommaso Paradiso e a dupla Fedez-Masini no topo das preferências para vencer o Festival de Sanremo. Ambos estão cotados a 6,00, reflexo de uma recepção calorosa às suas propostas: a sentimental “I Romantici” de Paradiso e o enérgico “Male necessario” da parceria Fedez-Masini.
Entretanto, o que transforma esse cenário em um pequeno enredo de suspense é a ascensão de Sayf. O jovem rapper ítalo-tunisino, formado na escola genovesa, subiu nas listas e agora também figura a 6,00, com “Tu mi piaci tanto”. É a clássica narrativa do underdog: aquele elemento inesperado que reescreve o roteiro quando as luzes se acendem — o reframe da expectativa que nos obriga a reavaliar o que julgávamos previsível.
No segundo escalão, aparece Ermal Meta, cotado a 7,50 com “Stella Stellina”, logo atrás dos favoritos. Em seguida, empatados a 12,00, estão Arisa, Serena Brancale, Ditonellapiaga e Fulminacci. Esses nomes compõem um panorama interessante: artistas que podem não dominar as manchetes, mas que carregam uma consistência artística capaz de virar o jogo.
Mais adiante nas odds, aparecem Malika Ayane (20,00), e um trio a 33,00 composto por Levante, Michele Bravi e Enrico Nigiotti. Já a veterana Patty Pravo, presença histórica no festival, surge com cotação de 50,00, símbolo de respeito e curiosidade por uma voz que dialoga com décadas de memória musical.
Entre os menos favorecidos pelas casas estão nomes consagrados como Raf e Francesco Renga, além de J-AX, Leo Gassmann e as estreantes Bambole di Pezza, todos a 100,00. A vitória parece mais distante para Elettra Lamborghini, Samurai Jay, LDA e Aka 7even, cotados a 200,00.
Mais do que números, essas cotações são um espelho do nosso tempo: elas capturam tanto o gosto imediato da crítica quanto o potencial de ressonância com o público. O que me interessa, como observadora cultural, é sempre o “porquê” por trás dessas movimentações. A subida de Sayf, por exemplo, revela um apetite por narrativas jovens e híbridas — artistas que atravessam fronteiras sonoras e identitárias. Já a manutenção de Paradiso e Fedez na frente confirma a força de nomes que conseguem traduzir nostalgia e contemporaneidade em melodias acessíveis.
Em suma, a 76ª edição de Sanremo começa com um enredo promissor: velhas certezas, surpresas emergentes e um leque de possibilidades que fará do palco um verdadeiro estúdio de memórias e tendências. Observaremos se as cotações se confirmam no voto popular — ou se o festival, fiel à sua tradição, preferirá dramatizar o inesperado.






















