Enquanto a expectativa pela 76ª edição do Festival de Sanremo cresce, os olhares atentos do mercado e da crítica se voltam para os artistas e para os possíveis confrontos que prometeram dinamizar o palco do Ariston. Segundo levantamento dos especialistas da Sisal, alguns testa a testa entre nomes de estilos distintos — do cantautorato pop ao rap jovem, passando pelo indie e pela tradição napolitana — podem transformar a competição em um verdadeiro roteiro de emoções.
No front do pop autoral, os números dos bookies desenham um duelo elegante e simbólico: o romântico e melódico Tommaso Paradiso figura como favorito a 1,72 contra o sempre intenso Ermal Meta, cotado a 2,00. Não se trata apenas de estatística: é o encontro de duas vozes que traduzem, cada uma à sua maneira, o eco cultural do nosso tempo — um espelho onde a memória coletiva e as pequenas narrativas pessoais se reconhecem.
O campo do indie também reserva surpresas. A aposta da Sisal indica um possível embate entre o duo Maria Antonietta–Colombre e a cantautora Levante. Aqui, a história pessoal — como a parceria já vista na noite das covers anos atrás — pode virar conflito artístico: o duo aparece a 1,65, enquanto Levante é anunciado a 2,10. É a semiótica do palco transformando alianças passadas em rivalidade presente.
No universo do rap emergente, a disputa promete ser geracional. Sayf, com um flow vigoroso e instantâneo, é favorito a 1,44 diante de Tredici Pietro, cotado a 2,60. Esse confronto é quase um manifesto da cena Gen Z: ritmos, linguagens e formas de presença que reescrevem rapidamente as regras do jogo.
A tradição vocal napolitana não fica fora do mapa: entre Luchè e Sal Da Vinci, o urban moderno levaria vantagem segundo as cotações, com Luchè a 1,65 frente a 2,10 de Sal Da Vinci. É um pequeno reframe entre passado e presente — a canção de raiz encontrando o pulso contemporâneo.
Por fim, no território dos hits e dos refrães virais, a batalha entre Elettra Lamborghini e Samurai Jay chega equilibrada: ambos cotados a 1,85. Quando as probabilidades estão assim, o roteiro fica aberto a surpresas e reviravoltas — exatamente o que o público adora ver quando a cortina se ergue.
Mais do que um simples levantamento de odds, a leitura dos bookies funciona como uma pequena cartografia do zeitgeist musical: revela preferências, apostas estéticas e os possíveis pontos de choque que tornarão a 76ª edição do Sanremo não apenas uma competição, mas um espelho das transformações na cena sonora italiana. Em suma, o festival promete ser, novamente, um ponto de observação privilegiado do roteiro oculto da sociedade, onde cada duelo no palco traduz uma escolha cultural.






















