Crescido dentro da música, mas determinado a não ser definido apenas por um sobrenome, Tredici Pietro (Pietro Morandi, 1997) chega ao palco de Sanremo 2026 como uma das vozes mais reconhecíveis da cena rap-urban italiana contemporânea. Sua estética é menos slogan geracional e mais mapa de intimidade: um espelho do nosso tempo que prefere a precisão emocional ao grito fácil.
Depois de ver “Verità” ficar de fora da seleção no ano passado, Pietro estreia na competição com “Uomo che cade”, faixa que transita entre o rap e um refrão cantado, desenhando um roteiro emocional onde a queda faz parte do curso e o levantar é ato de coragem. “Sento che questo palco è molto più grande di me, entro alla chetichella, ma non vedo l’ora di vedere che succede”, confessou, com a humildade e a curiosidade de quem sabe que o palco pode ser tanto espelho quanto arena.
O texto da canção, coassinado por Pietro e Antonio Di Martino, aborda a jornada coletiva de quem persegue um caminho: os obstáculos, as quedas e a resiliência. A música foi composta por Antonio Di Martino e Marco Spaggiari; a produção ficou a cargo de Vanegas, com contribuições adicionais de Giovanni Pallotti, Fudasca, Sedd e Montesacro — nomes que trazem a marca de uma cena colaborativa e artesanal.
Na noite de sexta-feira, Tredici Pietro subirá ao Teatro Ariston para interpretar uma homenagem: Vita (de Lucio Dalla/Gianni Morandi), acompanhado por Galeffi, Fudasca & band. É um encontro entre amigos e parceiros artísticos, parte de uma rede criativa que acompanhou Pietro desde os palcos do circuito até as sessões de estúdio — a mesma banda que o acompanhou no último tour esgotado. Esta escolha revela mais do que um repertório: é um reframe da memória afetiva, um ato de genealogia cultural em palco.
Filho de Gianni Morandi e Anna Dan, Pietro fez sua estreia em 2018 com o single Pizza e fichi. Em 2019 lançou o EP Assurdo, seguido por X questa notte (2021). O primeiro álbum, Solito posto, soliti guai (2022), consolidou uma poética marcada por relações, fragilidades e processos de crescimento. O vínculo artístico com Lil Busso resultou no álbum conjunto Lovesick (2022), mostrando a importância das colaborações na construção de uma identidade sonora.
Entre 2024 e 2025, uma nova sequência de singles abriu caminho para Non guardare giù (2025), disco que assinala uma maturidade narrativa e sonora — um balanço entre introspecção e aberturas pop-rap. A presença de Pietro no álbum do retorno de Fabri Fibra, na faixa Che gusto c’è, é outro marco simbólico: a inserção da sua voz em conversas mais amplas da cena contemporânea.
Importante novidade editorial: no dia 27 de fevereiro será lançada a edição especial Non guardare + giù (Sony / Epic), que reúne as faixas originais, o single La fretta e o inédito sanremese “Uomo che cade”. É o fechamento — e ao mesmo tempo um novo início — de um ciclo que entrelaça herança e autonomia.
Ao acompanhar Tredici Pietro, observamos não só a trajetória de um artista que se construiu longe do rótulo de filho de celebridade, mas também o roteiro oculto de uma geração que reinventa afetos e referências. Em suma, é a semiótica do viral aliada ao cuidado artesanal: um eco cultural que resume o estado de nosso tempo.






















