A segunda noite do Festival de Sanremo, conduzida por Carlo Conti, confirmou ontem sua força como espelho do nosso tempo ao registrar, em termos de audiência total, uma média de 9.053.000 espectadores, equivalente a 59,5% de share.
O dado representa um avanço em share em relação à primeira noite desta edição, que havia marcado 58% com 9.600.000 espectadores, mesmo que o total de espectadores tenha sido ligeiramente superior na estreia. Em perspectiva histórica, a segunda serata deste ano ficou abaixo dos números do ano passado, quando a edição anterior alcançou uma média de 11.800.000 espectadores e 64,6% de share.
Comparando com 2024, a última edição apresentada por Amadeus, a segunda noite havia sido acompanhada por 10.361.000 telespectadores, correspondendo a 60,1% de share. Esses recortes numéricos mostram que, embora o festival permaneça dominante na audiência, há variações sensíveis de ano para ano, como se o evento revisse constantemente o seu próprio roteiro tácito diante do público.
O desdobramento por blocos desta segunda serata também traz nuances importantes. A primeira parte (das 21:46 às 23:34) reuniu 11.531.000 telespectadores, com 58,2% de share, enquanto a segunda parte (das 23:39 à 1:10) obteve 5.947.000 espectadores e 62,7% de share. Esses índices evidenciam o comportamento habitual do público europeu: picos de massa na primeira metade e uma consolidação de espectadores fiéis na madrugada.
Para contextualizar a trajetória recente, em 2025 a primeira parte da segunda noite (das 21:16 às 23:28) havia marcado 14.900.000 espectadores e 63,6% de share, enquanto a segunda parte (das 23:33 à 1:11) alcançou 7.600.000 espectadores com 67,2%. A oscilação entre edições sugere tanto fatores de programação quanto o pulso cultural do público, que decide quem sobrevive no imaginário coletivo.
Como analista cultural, enxergo esses números não apenas como estatísticas, mas como um roteiro oculto da sociedade: o festival continua sendo uma lente privilegiada para ler emoções, prioridades e memória coletiva. A performance de audiência reafirma o Sanremo como um eco cultural que mistura tradição e adaptação, mantendo-se relevante mesmo quando os prognósticos mudam.
Em suma, a segunda serata de Sanremo 2026, com 59,5% de share, conserva o estatuto de evento nacional de grande impacto, confirmando que o festival segue sendo, em muitos sentidos, o grande palco onde se ensaia a narrativa contemporânea italiana.





















