Sanremo 2026 mantém a tradição: a noite de sexta-feira dedicada às covers volta a ser o momento em que o festival se transforma num espelho cultural, convocando artistas, personagens da mídia, do esporte e da cultura para reinterpretar canções que marcaram gerações. Nesta perspectiva, a lista de colaborações anunciada por Carlo Conti no Tg1 das 13h30 de sábado confirma que a edição de 2026 quer dialogar com memórias coletivas e com o presente ao mesmo tempo.
Pela regra do concurso, os 30 Big em competição escolheram uma cover do repertório italiano ou internacional, desde que a gravação original tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2025. Predomina o grande cânone italiano, mas há também incursões surpreendentes no repertório global — um refrão que funciona como reframe da nossa pátria sonora.
Os artistas serão avaliados pelo público através do Televoto, pela Giuria della Sala Stampa, Tv e Web e pela Giuria delle Radio, uma tríade de vozes que transforma a competição num mapa de preferências sociais e industriais. Abaixo, a lista completa dos duetos anunciados — uma constelação de encontros que promete reescrever interpretações e, ocasionalmente, revelar o roteiro oculto da sociedade através de escolhas musicais.
- Arisa — “Quello che le donne non dicono” com o Coro del Teatro Regio di Parma
- Bambole di Pezza — “Occhi di gatto” com Cristina d’Avena
- Chiello — “Mi sono innamorato di te” com Morgan
- Dargen D’Amico — “Su di noi” com Pupo e Fabrizio Bosso
- Ditonellapiaga — “The Lady Is a Tramp” com TonyPitony
- Eddie Brock — “Portami via” com Fabrizio Moro
- Elettra Lamborghini — “Aserejé” com Las Ketchup
- Enrico Nigiotti — “En e Xanax” com Alfa
- Ermal Meta — “Golden Hour” com Dardust
- Fedez & Marco Masini — “Meravigliosa creatura” com Stjepan Hauser
- Francesco Renga — “Ragazzo solo, ragazza sola” com Giusy Ferreri
- Fulminacci — “Parole parole” com Francesca Fagnani
- J-Ax — “E la vita, la vita” com Ligera County Fam (nome de fantasia que insinua possivelmente o retorno de Cochi e Renato)
- Lda & Aka 7even — “Andamento lento” com Tullio De Piscopo
- Leo Gassmann — “Era già tutto previsto” com Aiello
- Levante — “I maschi” com Gaia
- Luchè — “Falco a metà” com Gianluca Grignani
- Malika Ayane — “Mi sei scoppiato dentro il cuore” com Claudio Santamaria
- Mara Sattei — “L’ultimo bacio” com Mecna
- Maria Antonietta & Colombre — “Il mondo” com Brunori sas
- Michele Bravi — “Domani è un altro giorno” com Fiorella Mannoia
- Nayt — “La canzone dell’amore perduto” com Joan Thiele
- Patty Pravo — “Ti lascio una canzone” com Timofej Andrijashenko
Essa é a lista publicada em 31 de janeiro de 2026, e já é possível ler nela um roteiro de afetos: desde a nostalgia animada de um mega-sucesso pop como “Aserejé” até o embate intimista de baladas que atravessaram décadas. A presença de figuras como Francesca Fagnani evidencia como o Festival assume hoje um papel híbrido — palco musical, arena midiática e estúdio de memória coletiva.
Como analista cultural, não posso deixar de notar que a noite das covers funciona como um pequeno laboratório semiótico: cada dueto é um gesto de recontextualização, uma tentativa de reframing que pode revelar novas camadas de sentido nas canções e, por extensão, na audiência que as consome. É o festival mostrando que a música popular é também arquivo e espelho do nosso tempo.
Os espectadores podem esperar arranjos que vão do clássico orquestral ao minimalismo eletrônico, convidados que trazem trajetórias diferentes e um jogo de expectativas entre originalidade e homenagem. Na prática, a noite promete ser menos sobre competir e mais sobre reinterpretar — um encontro entre memória coletiva e experimentação sonora.
Publicado em 31 de janeiro de 2026.






















