Faltam horas para o palco do Ariston voltar a ser o grande espelho do nosso tempo: o Festival de Sanremo regressa em 2026 para a sua 76ª edição e promete ser, mais uma vez, um roteiro onde música e memória se entrelaçam. Neste guia atento — pensado como quem observa um filme premiado num café de Milão — explico o que aconteceria em cada noite, quem são os protagonistas e como será a mecânica de apuração.
Ao todo, disputarão a competição principal 30 artistas, cada um com uma canção inédita. Paralelamente, regressa a prova das Nuove Proposte: quatro concorrentes — os dois vencedores do Sanremo Giovani 2025 e os dois vencedores do Area Sanremo 2025 — que apresentarão as mesmas canções com as quais triunfaram nas seleções.
Na apresentação, para o segundo ano consecutivo, está confirmada a dupla que assume o papel de fio narrativo desta edição: o maestro de cerimónias Carlo Conti e a presença constante de Laura Pausini. Ao longo das cinco noites, irão-se revezar co-apresentadores e co-apresentadoras como Can Yaman, Achille Lauro, Irina Shayk, Bianca Balti e Giorgia Cardinaletti — figuras que funcionam como pequenos pontos de luz num cenário maior.
- Terça-feira, 24 de fevereiro — A primeira noite abre com os 30 Big no palco do Ariston. As votações iniciais serão conduzidas pela giuria della Sala Stampa, TV e Web. Ao final, será divulgada uma lista com os 5 nomes que se destacaram, sem ordem de classificação. Can Yaman partilha a condução desta primeira etapa; o superconvidado da noite é Tiziano Ferro.
- Quarta-feira, 25 de fevereiro — A segunda noite acolhe metade dos Big em concurso. Nesta sessão, o público vota por televoto e haverá intervenção da giuria delle radio. Ao fim das apresentações, será publicada uma classificação referente apenas aos 15 que atuaram, com os 5 mais votados divulgados sem ordem. Achille Lauro é o co-condutor desta noite. É também aqui que se realiza a primeira fase das Nuove Proposte: os quatro jovens confrontam-se em duplas e as duas canções mais votadas avançam diretamente à terceira noite.
- Quinta-feira, 26 de fevereiro — Os outros 15 Big apresentam-se ao público; a votação combina novamente os diferentes órgãos previstos no regulamento da emissora, e prossegue a seleção que dará seguimento à classificação final.
- Sexta-feira — A tradicional noite das cover: os Big interpretam canções escolhidas em conjunto com a Direção Artística e a Rai, frequentemente acompanhados por convidados especiais. Esta é a noite do reframe cultural, onde arranjos e homenagens redesenham a memória coletiva.
- Sábado (Grande Final) — Todos os 30 artistas voltam ao palco. As votações acumuladas definem uma primeira classificação; os cinco mais votados passam à superfinal, onde o som combinado do público e dos diferentes júris proclama o vencedor ou a vencedora do Sanremo 2026.
Do ponto de vista técnico, o sistema de votação envolve a combinação de três vozes: a Giuria della Sala Stampa, TV e Web, o Televoto do público e a Giuria delle Radio, com pesos que variam por serata conforme o regulamento da Rai. Esse mecanismo é pensado para criar um balanço entre crítica especializada, audiência e as emissoras que ajudam a programar as canções nas ondas do país — um verdadeiro espelho das hierarquias culturais.
Para quem acompanha de fora do palco, Sanremo 2026 funciona como uma minissérie: cada noite é um episódio que altera o destino das canções, reescrevendo alianças afetivas com o público. A competição das Nuove Proposte adiciona ainda uma camada de descoberta, lembrando que o festival é simultaneamente arquivo e laboratório do futuro musical italiano.
Guarde este texto: é um roteiro para seguir as cinco noites sem perder o fio. E, como em qualquer boa narrativa, mais importante que quem vence é perceber por que motivos certas canções atravessam o tempo e outras ficam na memória apenas da noite em que soaram. O Sanremo 2026 promete ser, mais uma vez, um cenário de transformação cultural — e estaremos atentos ao seu eco.






















