Por Chiara Lombardi — Com o olhar atento de quem lê a cultura pop como se fosse um roteiro que revela os contornos do presente, Carlo Conti comentou, entre pesar humano e pragmatismo artístico, o episódio envolvendo o comediante Pucci. Em entrevista à Radio 2, Conti disse: “A me dispiace molto per Pucci. Da un punto di vista umano e professionale. Ci sta, perché un comico sente anche la paura: lì devi andare con leggerezza, serenità e divertimento”. Em português: o apresentador lamentou o ocorrido, apontando que a vulnerabilidade faz parte do ofício do humorista.
Conti ainda sublinhou a natureza do festival como catalisador de notícia: “Poi, siccome ‘Sanremo è Sanremo’, deve per forza fare notizia… di certo non pensavamo di creare un affare di stato così importante!”. Ele reforçou que a escolha artística visou a presença cênica, explicando que optou por um artista que “riempie teatri” e que não avalia a vida privada ou posts em redes sociais — um comentário que soa como um pequeno manifesto sobre separação entre obra e intimidade na era digital.
No ritmo dos anúncios oficiais, o diretor artístico confirmou novidades na escalação: a atriz e apresentadora Pilar Fogliati será co-condutora da segunda serata, ao lado do polêmico e performático Achille Lauro e do humorista Lillo. “Ci divertiremo in questa grande festa del mercoledì”, disse Conti, prometendo que a noite terá tom festivo e multifacetado.
Ao responder a piadas sobre a quantidade de co-condutores e convidados, o apresentador recordou: “Anche lo scorso anno non scherzavo… e c’era Malgioglio che valeva per quattro!”. Sobre nomes que circulam na imprensa, ele se mostrou cauteloso quanto a Eros Ramazzotti: “Non è ancora sicuro, so che sta girando sui siti ma ho letto anche io tante cose, compreso il nome di Madonna!” — uma lista que expõe o caráter quase cinematográfico do mercado de rumores em torno do festival.
Com uma pitada de ironia, Conti descartou a participação de certos colegas: “Pieraccioni e Panariello? Non vengono, non hanno voglia! Non hanno prenotato nemmeno un albergo!”. A fala acena para as negociações off-stage que tantas vezes compõem o roteiro oculto dos grandes eventos culturais.
Oficializando a presença musical, o festival recebe no palco Suzuki artistas como Gaia, Bresh, The Kolors e Francesco Gabbani. E, para a última serata, uma nota de celebração histórica: os Pooh subirão ao palco para comemorar 60 anos de carreira. Fiorello, sempre sagaz, brincou: “I Pooh sono come le tasse, li levi, li levi… ma ci sono sempre!”.
Mais do que um rol de nomes, esses anúncios são atos de construção de narrativa. O Sanremo de Conti continua a operar como um espelho do nosso tempo: mistura espetáculo, memória coletiva e a semiótica do viral. Em vez de mera cobertura, vale perceber o festival como um set onde se encenam ansiedades, nostalgias e as novas formas do carisma público — um roteiro em que cada escolha de elenco diz algo sobre quem somos e quem queremos ver no centro do quadro.
Enquanto a cidade se prepara, resta ao público observar os próximos atos: confirmações, recusas e surpresas compõem o ritmo desta edição, cuja partitura ainda pode ser reescrita a cada manchete.





















