Sanremo 2026: Blind, El Ma & Soniko — ‘Nei miei DM’
São três nomes que chegam ao Festival como uma pequena usina de energia e sinais: Blind, El Ma e Soniko competem entre as Nuove Proposte de Sanremo 2026 com o single “Nei miei DM”. Oriundos da seleção Area Sanremo, prometem ser o elemento imprevisível da categoria — aquele ponto de tensão dramática que, como num bom roteiro, muda o equilíbrio da narrativa.
“Estamos dentro de um vórtice, trabalhamos muito e estamos gostando disso”, conta Blind em entrevista à Espresso Italia. A preparação, dizem, extrapola a técnica vocal: no palco do Teatro Ariston haverá também uma coreografia estudada nos detalhes. A meta é clara: marcar presença e deixar uma impressão memorável, como uma cena que insiste em voltar à mente do espectador.
A ideia original vem de Soniko, produtor nascido em 2001 — a cabeça criativa por trás da arquitetura sonora do trio. “Tudo começou há um ano, em um momento pessoal difícil”, relata Soniko. A fagulha nasce do contato com as canções sanremesas, em particular a produção de Achille Lauro, referência que reacendeu a lâmpada criativa. No verão seguinte, a colaboração se cristaliza com Blind, que já tinha um tema guardado. Faltava, no entanto, uma voz feminina: entra El Ma, nome artístico de Elmira Marinova.
A escolha por El Ma não é apenas estética. A pronúncia italiana — ainda não tão perfeita — foi justamente o que deu “cor” ao tema, segundo Soniko. Essa escolha reforça um ponto cultural relevante: a autenticidade geracional e a mistura de línguas e identidades que configuram a cena pop contemporânea europeia.
Blind (Franco Rujan) é o rosto mais conhecido do trio: descoberto em X Factor Itália (2020), ele já lançou álbum, livro e participou de L’Isola dei Famosi. Traz a componente urbana e uma forte presença midiática. El Ma, nascida em 2007, também passou por X Factor (edição 2024) e oferece uma sensibilidade pop contemporânea com uma dimensão internacional evidente. Soniko, por sua vez, é o produtor-autor, o arquiteto do som.
A experiência televisiva marcou o percurso de todos: “X Factor me fez crescer e me testar”, lembra Blind. Para El Ma, ainda em formação, a lição é prática e ritualística: “mesmo em momentos difíceis, no palco é preciso irradiar energia positiva — essa é a tarefa do artista”.
O trio não teme ser rotulado como “leve” ou “demasiado social”: “Somos filhos desta geração, as redes sociais são parte da nossa realidade. Não queremos ser cópia de ninguém”, afirma Blind. A palavra de ordem é autenticidade, mesmo que isso gere divisões. Em termos performáticos, a prioridade é a entrega no Ariston — Soniko revela uma técnica para domar o nervosismo, a chamada “regra dos quatro segundos”, um método respiratório para manter a calma sob pressão.
No horizonte imediato, poucas certezas: há outras canções prontas, mas o trio prefere esperar o veredito de Sanremo. O que fica é a sensação de um grupo que traduz a semiótica do viral e a mistura de referências como um espelho do nosso tempo — um pequeno espelho que, no palco, pode refletir algo maior sobre identidades, mídia e o roteiro oculto da cultura pop contemporânea.
Nei miei DM chega ao festival como uma cena cuidadosamente coreografada entre voz, presença e produção — e, como em um bom filme, o que importa é a duração da cena: se ficará gravada na memória do público.





















