O San Marino Song Contest acelera o pulso cultural europeu e revela suas primeiras surpresas: entre as dez “wild cards” que avançam diretamente para a final do dia 6 de março estão nomes como Boy George, Dolcenera, Paolo Belli, Rosa Chemical e l’Orchestraccia. A noite decisiva acontecerá no Teatro Nuovo de Dogana e será transmitida ao vivo pela San Marino RTV, com streaming na RaiPlay e cobertura radiofônica na Rai Radio 2.
O evento, sob a batuta do diretor-geral da San Marino RTV, Roberto Sergio, reafirma a ambição de construir um palco verdadeiramente internacional para que o vencedor represente San Marino no Eurovision Song Contest 2026, que ocorrerá em Viena. A direção criativa da final está a cargo de Simona Ventura, profissional com mais de trinta anos de experiência e já conhecida por sua passagem pelo Festival de Sanremo — uma escolha que sugere um espetáculo pensado tanto para o olhar popular quanto para a crítica.
O formato competitivo manterá as semifinais nos dias 4 e 5 de março, também exibidas pela San Marino RTV, apresentadas por Maddalena Corvaglia e Marco Carrara. Quarenta artistas foram selecionados para as duas noites de eliminatória (20 por noite); ao fim de cada episódio serão escolhidos cinco finalistas, totalizando 10 nomes que se juntarão às 10 wild cards já anunciadas — compondo um conjunto final de 20 concorrentes na grande noite.
A decisão sobre quem seguirá para Viena ficará a cargo de um painel central presidido por Federica Gentile, acompanhada de figuras do universo musical e institucional: Roberto Sergio, Mario Andrea Ettorre (Diretor de Marketing da SIAE), Massimo Zanotti (maestro, músico e arranjador) e Beppe D’Onghia (produtor, autor e diretor de orquestra em Sanremo). Uma novidade desta edição é a inclusão de uma Júri de Qualidade composta por Iva Zanicchi, Morgan e Red Ronnie, figuras que trarão um olhar crítico e histórico ao veredito.
Como observadora cultural, não consigo evitar perceber o San Marino Song Contest como um espelho do nosso tempo: um evento que mistura nostalgia (um ícone dos anos 80 como Boy George) e vanguarda (nomes urbanos e experimentais como Rosa Chemical), criando um roteiro oculto sobre identidade, memória e ambição geopolítica musical. A presença de artistas de perfis tão distintos transforma a competição em um pequeno laboratório europeu, onde se experimenta o que será valorizado no palco maior do Eurovision Song Contest.
Para o público e para os profissionais da indústria, a promessa é dupla: uma final que é, simultaneamente, espetáculo televisivo e dispositivo de construção de significado cultural. A transmissão pela RaiPlay e o envolvimento da Rai Radio 2 ampliam o alcance, enquanto a curadoria de figuras experientes como Simona Ventura e a formação da Júri de Qualidade introduzem camadas de crítica e repertório que vão além do entretenimento imediato.
Resta agora ao público acompanhar as semifinais em 4 e 5 de março e reservar o olhar para o Teatro Nuovo de Dogana em 6 de março, quando a música pequena de um micro-Estado tentará imprimir sua marca na cartografia sonora da Europa. Se o San Marino Song Contest é um pequeno cenário de transformação, a sua final pode oferecer um reframe da realidade musical — e, quem sabe, eleger um representante que carregue, na voz e na estética, um eco cultural capaz de dialogar com Viena e com todo o continente.






















