Em uma noite que funcionou como um verdadeiro espelho do nosso tempo, Sal da Vinci conquistou o Festival de Sanremo 2026 com a canção Per sempre sì. Emocionado, o vencedor dedicou o troféu à família e à sua cidade: “Quero compartilhar este prêmio com minha família que tanto me ajudou e quero dedicá-lo à minha cidade, Nápoles”.
O segundo lugar ficou com Sayf, que venceu o televoto com 26,4% das preferências, enquanto Sal da Vinci obteve 23,6%. A cantora Arisa ficou em terceiro com 19,2% — superando Ditonellapiaga, que encerrou em quarto com 18,9%. A dupla Fedez & Masini fechou o top 5 com 11,9%.
Na tradição dos grandes desfechos, a noite também marcou o encerramento da passagem de Carlo Conti à frente do Festival. Em um gesto simbólico e oficial, Conti anunciou: “Posso anunciar oficialmente que Stefano De Martino será o condutor e o diretor artístico do próximo Festival de Sanremo” — palavras proferidas enquanto alcançava De Martino presente na plateia do Teatro Ariston. Visivelmente emocionado, De Martino agradeceu à RAI e declarou: “Agora cabeça baixa e pedalando”.
O desenrolar dessas nomeações e vitórias não é apenas um resultado artístico: é um indicativo do roteiro oculto da indústria cultural italiana, onde escolhas de palco tendem a revelar tendências de público, novas sensibilidades estéticas e um certo reframe da memória coletiva.
Na tarde seguinte ao final do festival, domingo, 1º de março às 14h, a emissora transmitirá Domenica In – Speciale Sanremo, direto do Teatro Ariston, com a conduzão de Mara Venier. No programa, todos os 30 cantores que participaram da 76ª edição de Sanremo se apresentarão novamente. Ao lado de Venier, os comentaristas serão Tommaso Cerno e Enzo Miccio, além de jornalistas e rostos conhecidos do entretenimento presentes no festival.
O eco cultural da vitória de Sal da Vinci já alcançou vozes do cinema: Carlo Verdone publicou nas redes sociais uma lembrança do início de carreira do artista. Verdone recordou um casting de 1985 para o filme “Troppo forte”, quando um jovem Sal, vindo de Nápoles acompanhado do pai Mario — cantor e ator de sceneggiate — chamou sua atenção pelo profissionalismo e inteligência. “Caro Sal Da Vinci, i miei complimenti e un abbraccio sincero. Oggi Troppo Forte sei tu”, escreveu Verdone, conectando a trajetória pessoal ao triunfo atual.
Em termos de audiência, a final do Sanremo 2026 registrou uma média de 11.022.000 telespectadores em termos de total audience na Rai1, correspondente a 68,8% de share. É uma audiência elevada, ainda que abaixo do recorde de 2025, quando a última edição alcançou 13.427.000 espectadores e 73,1% de share. Esses números desenham um cenário de transformação do consumo televisivo: embora o festival mantenha seu peso simbólico, a variação nas cifras aponta para novos hábitos, fragmentação de audiência e o papel crescente das plataformas digitais na circulação do acontecimento.
Mais do que um resultado competitivo, a vitória de Sal da Vinci e o anúncio de Stefano De Martino como próximo diretor artístico funcionam como lentes para ler o presente — o festival continua sendo um palco onde se encenam identidades, memórias regionais (como a homenagem a Nápoles) e estratégias institucionais. Em tempos em que cada nota pode reverberar além do estúdio, Sanremo 2026 confirma seu papel como um roteiro vivo da cultura popular italiana, um evento que reflete e reconfigura, noite após noite, o mapa afetivo do país.






















