Por Chiara Lombardi — Enquanto o 76º Sanremo ocupa o centro do palco tradicional, a Rai Radio2 propõe um contracampo: nasce RemoSan, o Sanremo do avesso que transforma as redes sociais no palco das canções mais absurdas, inesperadas e deliciosamente sem sentido. A proposta é simples e afiada como um roteiro que desconstrói o óbvio: quem tiver uma faixa “completamente absurda, incrível, no-sense, a mais surreal de sempre” precisa apenas gravar um vídeo de 60 segundos e publicá‑lo nos próprios perfis.
O projeto funciona como um espelho deslocado do festival oficial: se o Ariston concentra a solenidade e as ballads, RemoSan abre a gaveta das canções que permanecem guardadas — aquelas pequenas peças de memória sonora que seriam, na lógica oficial, inaptas ao palco maior. É uma curadoria de espontaneidade e humor, um reframe da realidade festivaliera que devolve voz à comunidade e lembra que o entretenimento também é um cenário de transformação cultural.
A call to action foi lançada em 2 de fevereiro e, em poucas semanas, resultou numa resposta vibrante: centenas de canções, muitas delas corrosivamente divertidas, começaram a circular nas timelines. Algumas dessas participações serão incorporadas ao roteiro de RemoSan, integrando o mapa alternativo do evento e oferecendo ao público um outro ângulo para acompanhar #Sanremo2026.
De quarta-feira, 25, a sábado, 28 de fevereiro, a emissora ativará a sua Radio2 Social Squad — um time de creators que levará seguidores a descobrir os trechos mais hilários e improváveis publicados nas semanas anteriores. A transmissão em direto será exibida simultaneamente no Instagram e no TikTok (@rairadio2) e acontecerá do estúdio Radio2/SIAE, frente ao Ariston: um live show que mescla encontros entre creators, convidados musicais e, sobretudo, os “momentos reaction”, quando os presentes escutam e comentam em tempo real as canções no‑sense enviadas pelos fãs.
O formato aposta na leveza. As transmissões online, a partir das 11h15, terão cerca de 15 a 30 minutos cada, e prometem ser pequenos episódios de comunhão coletiva: risos, surpresa e a sensação de assistir ao roteiro oculto da sociedade em versão de 60 segundos. Além das lives, durante os cinco dias do festival, a Radio2 Social Squad produzirá conteúdos sociais em sinergia com a programação, registrando o movimento que acontece “fora do Ariston”, pelas ruas e praças de Sanremo.
Como analista cultural, vejo RemoSan como uma operação semiótica elegante: transforma o viral em documento e o absurdo em comentário. É a prova de que os social não são apenas vitrines — são palcos, arquivos afetivos e laboratórios de identidade coletiva. Em vez de competir com o palco oficial, a iniciativa o complementa, oferecendo um espelho cômico e crítico do zeitgeist musical.
Para quem participa: prepare o seu 60 segundos e pense no efeito que quer provocar. Para quem observa: aguarde reações e pequenos clássicos virais que poderão, amanhã, definir memórias sonoras inesperadas do festival. Afinal, o que define um festival senão a soma de histórias que as pessoas contam e recontam? RemoSan nos convida a ouvir essas histórias com o ouvido disposto ao inesperado.






















