Por Chiara Lombardi para Espresso Italia
No palco do Teatro Ariston, a cena parecia um close íntimo tirado de um filme: Raf cantou com o olhar fixo na esposa, e as câmeras devolveram ao público a imagem de uma mulher emocionada, com os olhos marejados. O cantor dedicou o brano “Ora e per sempre” a Gabriella Labate, agradecendo-a no final como a inspiração por trás da canção.
Em entrevista ao programa ‘La volta buona’, a filha primogênita, Bianca Riefoli, contou os bastidores dessa performance que misturou família e espetáculo. Ela esteve no palco em papel de bailarina e recordou: ‘Eu tremia de emoção, mas meu pai me disse para me divertir e então eu me soltei’. A imagem de uma família unida no coração do festival reconfigura o espetáculo como um ritual de afeto público.
Bianca falou ainda sobre a química entre os pais: ‘Eles parecem dois adolescentes apaixonados, mesmo depois de 30 anos de casamento’. Essa observação revela o que é, talvez, o roteiro oculto da longevidade afetiva: um equilíbrio entre convivência, renovação e presença compartilhada. Segundo ela, o segredo é ‘complicidade e paciência, por parte de ambos’.
Em termos culturais, a cena de Sanremo mostrou mais do que um número musical: ofereceu um espelho do nosso tempo em que emoções privadas se tornam paisagem pública e, simultaneamente, reforçam identidades familiares. A performance de Raf funcionou como um pequeno manifesto contra a aceleração do apagar do íntimo, propondo que a durabilidade do amor também é narrativa digna do palco.
O gesto de cantar olhando para a parceira transformou o microfone em um dispositivo de memória: por alguns minutos, o festival deixou de ser apenas competição e passou a ser um cenário de celebração da história pessoal. As lentes, ao focalizarem Gabriella Labate, captaram o eco cultural de uma relação que resiste ao efêmero do showbiz.
Para o público e para a mídia, a presença ativa de Bianca Riefoli no palco acrescentou camadas simbólicas à canção. Não se tratou apenas de assistir à interpretação de um artista consagrado, mas de observar uma família que se opera como unidade performativa — onde cada gesto amplifica o sentido da música.
Ao final, o agradecimento de Raf a Gabriella como sua musa tornou explícito o ritual de inspiração que está por trás de muitas obras: nem sempre o processo criativo nasce apenas da solidão do artista, mas da convivência, do olhar e da cumplicidade que se afirmam ao longo dos anos.
Esse episódio em Sanremo deixa no ar uma reflexão: em tempos em que o palco e a vida pessoal se confundem, a escolha de revelar afeto pode ser também um ato político, um reframe que valoriza paciência, continuidade e presença como valores que resistem à volatilidade cultural.
Resumo: Raf dedicou ‘Ora e per sempre’ a Gabriella Labate. A filha Bianca Riefoli participou como bailarina e celebrou a química do casal, casados há 30 anos, atribuindo a durabilidade do amor à complicidade e à paciência.
Assinado, Chiara Lombardi — observadora do zeitgeist entre Roma e Milão, onde cinema, música e memória se cruzam.






















