Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura nostalgia e ironia, Os Simpsons chegaram ao episódio 800 no último domingo, 15 de fevereiro. A série animada criada por Matt Groening, iniciada em 1987 (chegando à Itália em 1989), consolida-se como um verdadeiro espelho do nosso tempo: atualmente na temporada 37, detém o recorde de longevidade na história da televisão, atravessando presidências, formatos e décadas sem perder a capacidade de captar o zeitgeist.
A comemoração foi entregue em forma de episódio especial intitulado “Irrational Treasure”, uma aventura que atravessa a sátira social e a paródia cinematográfica ao evocar o clima de filmes como National Treasure (no Brasil, O Mistério dos Templos). A estrutura da história funciona como um roteiro oculto da sociedade: enquanto Homer e família embarcam em uma caçada cheia de reviravoltas, a série reflete nossa relação com mitos nacionais, herança cultural e a caça coletiva por tesouros — simbólicos e reais.
O episódio reuniu um elenco de guest stars que reforçam o diálogo entre diferentes universos culturais. Entre os convidados estiveram a criadora da sitcom Abbott Elementary, Quinta Brunson, o músico e baterista Ahmir “Questlove” Thompson (do coletivo The Roots), além de três intérpretes do medical drama cult da HBO, The Pitt: Noah Wyle, Katherine LaNasa e Taylor Dearden. Essas participações marcam um cruzamento de referências telemétricas — da comédia contemporânea à música e ao drama televisivo —, como se a própria série montasse um grande mosaico da cena cultural atual.
Na mesma noite foi exibido também o episódio que encerrou a temporada, intitulado “Homer? A Cracker Bro?”, com a participação especial de Michael Stipe, lendário vocalista dos R.E.M. A presença de Stipe sublinha a permanência dos Simpsons como um território seguro para encontros entre pop e memória coletiva: um palco onde ícones podem reinterpretar suas vozes à luz do humor e da ironia.
Além da celebração televisiva, a família amarela voltará às telas de cinema: a Disney anunciou oficialmente The Simpsons 2, sequência aguardada do longa-metragem animado de 2007. O novo filme tem estreia prevista para 3 de setembro de 2027 nos Estados Unidos, sinalizando que a franquia continua expandindo seu ecossistema — do sofá de Springfield para a grande tela, num reframe contínuo da realidade midiática.
Mais do que um número, o episódio 800 funciona como índice de um fenômeno cultural que soube se reinventar: a série transformou-se em um arquivo vivo das ansiedades, das piadas e das narrativas que moldam nosso presente. Como um filme cult que volta a ser exibido, Os Simpsons permanecem como um laboratório coletivo, onde cada gafe ou epifania é também um espelho do nosso tempo.
© Espresso Italia — Chiara Lombardi






















