Por Chiara Lombardi – Espresso Italia
Uma nova peça no mosaico trágico do caso que abalou Hollywood revela que Nick Reiner, acusado do assassinato dos pais — o cineasta Rob Reiner e a esposa Michele —, esteve sob tutela psiquiátrica em 2020. A informação foi apurada pelo New York Times e adiciona uma camada clínica e institucional a esse episódio que, mais do que um crime, funciona como um espelho do nosso tempo e das falhas do sistema de saúde mental.
Segundo o jornal, Nick foi submetido a uma tutela segundo a chamada Lanterman-Petris-Short Act (um mecanismo legal ligado, tipicamente, a internações psiquiátricas obrigatórias que depois são convertidas em tutela privada, mediante solicitação médica e aprovação judicial). A tutela durou aproximadamente um ano e terminou em 2021, sem que tenha sido renovada. O tutor nomeado à época foi Steven Baer, que, procurado pela reportagem, se limitou a qualificar os acontecimentos como “uma tragédia horrível” e não comentou detalhes.
Funcionários do condado de Los Angeles confirmaram a existência dessa tutela e seu término em 2021. Fontes ouvidas pelo New York Times acrescentaram que, como parte do tratamento, Nick recebia medicação psiquiátrica. O regime farmacológico, porém, foi alterado cerca de um mês antes do duplo homicídio — segundo a apuração, por conta de efeitos colaterais.
Registros policiais obtidos por Rolling Stone US mostram que, em 2019, agentes do LAPD foram chamados à residência dos Reiner em duas ocasiões (25 de fevereiro e 27 de setembro). Essas intervenções podem ter sido decisivas para a decisão de instaurar a tutela no ano seguinte, ainda que não esteja claro por que a medida não foi renovada após os doze meses iniciais.
O histórico clínico de Nick Reiner inclui diagnóstico prévio de esquizofrenia e, segundo outra fonte anônima, o quadro evoluiu para um distúrbio esquizoafetivo — condição que combina sintomas psicóticos com alterações do humor, como depressão ou episódios maníacos. Há também menção a uma longa luta contra a toxicodependência desde a adolescência.
Os pais foram encontrados mortos a facadas no dia 14 de dezembro, na suíte principal de sua casa em Brentwood. Nick foi preso poucas horas depois, próximo a um posto de gasolina no centro de Los Angeles. Já compareceu em tribunal duas vezes desde a detenção; em ambas as audiências, não houve declaração de culpa. Atualmente é representado pela defensora pública Kimberly Greene, após a renúncia sem explicações do advogado particular Alan Jackson.
Como analista cultural, observo que este episódio não é apenas uma crônica policial. É também um refrão perturbador sobre como a sociedade lida com a doença mental — o roteiro oculto que atravessa famílias poderosas e anônimas. A alteração recente da medicação expõe o fio frágil entre tratamento e risco, e as lacunas institucionais tornam-se, aqui, elementos dramáticos de um enredo real.
Há ainda perguntas em aberto: por que a tutela acabou sem renovação, que acompanhamento clínico se deu após 2021, e como decisões terapêuticas tomadas meses antes se entrelaçam com a tragédia de dezembro? Essas interrogações exigem não só cobertura jornalística, mas também uma leitura crítica sobre políticas de saúde mental e prevenção.
Enquanto o processo segue, o caso Reiner permanece um eco cultural inquietante — um convite para repensar o sistema que deveria proteger os indivíduos mais vulneráveis antes que a narrativa se transforme em irreversível desfecho.
Atualizado em 16 de janeiro de 2026.






















