Por Chiara Lombardi — Em Motorvalley, a nova série disponível na Netflix desde 10 de fevereiro, o que vemos nas telas é apenas a ponta do motor: por trás das cenas há um trabalho técnico e cultural que transformou atores em condutores, vozes em dialetos e movimentos em risco controlado. Protagonizada por Luca Argentero, Giulia Michelini e Caterina Forza, a produção atravessa a paixão automotiva e a paisagem emocional dos personagens, refletindo um eco cultural onde corrida e identidade se espelham.
Os atores contam ao Adnkronos sobre as provações do set. A primeira delas foi o dialeto: aprender o romagnolo não foi apenas decorar sons, mas encarnar uma mentalidade. Argentero confessa que o coach Stefano Alessandroni foi decisivo para evitar uma má impressão. Como ele bem observa, o romagnolo nao e apenas um acento, e uma forma de estar no mundo — um pequeno roteiro social que pede entrega. Para Caterina Forza, vinda de Roma, a adaptação foi particularmente exigente; para Giulia Michelini, existiu a tensão entre dar cor ao idioma sem cair em uma cadência caricata.
Argentero interpreta Arturo, um ex-piloto marcado por um passado trágico e à procura de redenção, que reencontra um sentido na paixão pelas pistas e nas relações com Elena (Michelini) e Blu (Forza). Ao centro da narrativa de seis episódios, estão Elena, herdeira dos Dionisi e proprietária de uma renomada escuderia que luta para reconquistar seu lugar, Blu, jovem irracionalmente atraída pela velocidade, e Arturo, lenda em retirada após um acidente que mudou tudo. O cenário competitivo é o Campionato Italiano Gran Turismo (GT), onde a velocidade vira moeda, identidade e, por vezes, sentença.
No set, as sequências de ação exigiram preparação física e técnica. Argentero e Forza rodaram cenas de pilotagem sem dublês em momentos-chave. Forza relata que fez aulas de condução esportiva antes das filmagens e se surpreendeu com sua própria aptidão; treinou com personal trainer e trabalhou diariamente em academia para ganhar resistência e presença no cockpit. Argentero lembra uma cena em que Caterina dirige um carro de corrida sobre gelo e neve, enquanto ele participa como passageiro: um quadro que, segundo os atores, espelha a intensidade do texto — como se a câmera fizesse um close no motor emocional dos personagens.
Sobre a preparação íntima, Argentero descreve uma atitude quase ritual: tende a visualizar o caminho, um processo semelhante ao chamado ‘manifesting’, onde a intenção organiza a realidade. Essa afirmação revela o fio íntimo entre atuação e desejo: no set, como na pista, visualizar é parte do reframe que transforma risco em narrativa.
Motorvalley se posiciona, portanto, como mais do que uma série sobre carros: é um estudo sobre memória, ambição e territórios culturais — a Motorvalley italiana que serve de espelho para nossas obsessões contemporâneas. Nas seis horas da série, a velocidade funciona como metáfora de asseveração pessoal; cada ultrapassagem é um flashback, cada curva, um recomeço. Para quem acompanha cinema e comportamento, a produção é um convite a observar o roteiro oculto da sociedade que encontra nas pistas um palco para redenção e ruína.
Ficha rápida: Motorvalley — 6 episódios; elenco principal: Luca Argentero, Giulia Michelini, Caterina Forza; estreia: 10/02; palco central: Campionato Italiano Gran Turismo.






















