É com uma sensação de perda que atravessa o ecosistema cultural que comunico a morte de Federico Frusciante. Conforme mensagem publicada em seus canais oficiais, Federico faleceu em 15 de fevereiro de 2026, aos 52 anos. A notícia provoca um silêncio temporário na conversa online sobre cinema: aquela espécie de espelho do nosso tempo onde críticas e paixões se refletem e se amplificam.
Figura de referência para gerações de cinéfilos, sobretudo no ambiente digital, Federico Frusciante transformou a experiência de quem frequentava sua videoteca em um rito coletivo. Nascido em 28 de agosto de 1973, em Pontedera (Pisa), e profissionalmente ligado a Livorno, abriu sua videoteca aos 25 anos — o espaço que viria a se chamar Videodrome, em homenagem a David Cronenberg — e ali constituiu um verdadeiro presídio cultural em resistência às mudanças do mercado.
A Videodrome aguentou as marés: desde o domínio das grandes cadeias até o desafio do streaming ilegal, permanecendo aberta por 23 anos até encerrar as atividades em 2022. Esse lugar físico, entretanto, foi apenas a primeira cena de uma trajetória que encontrou na rede um alcance inesperado. No canal “Federico Frusciante“, seguido por quase 120 mil inscritos, e em perfis com mais de 55 mil seguidores no Instagram, suas análises — diretas, apaixonadas e muitas vezes contra a corrente — tornaram-se ponto de encontro para debates sobre cinema independente e obras de nicho. Alguns vídeos ultrapassaram 300 mil visualizações, confirmando a sua capacidade de tornar visíveis filmes e sonoridades que, sem ele, teriam permanecido marginais.
Além de crítico e curador de gosto, Federico foi músico post-punk, ator e compositor. Sua atuação ia além do comentário: colaborou com publicações especializadas como FilmTv e Nocturno, entrevistou nomes como George A. Romero e Dario Argento e participou como jurado em festivais internacionais. Convidado a ministrar aulas universitárias “fora dos esquemas”, proclamava um ensino que era quase um manifesto sobre a prática de ver e pensar cinema.
No último ano, integrou o projeto Criticoni, ao lado de Davide Marra, Francesco Alò e Mattia Ferrari — iniciativa que levou debates e encontros a teatros e salas de cinema por toda a Itália, reafirmando que a crítica pode ser performativa e comunitária, e não apenas uma nota de rodapé.
O peso simbólico da sua figura aparece nas incontáveis manifestações de estima e nos agradecimentos publicados por fãs, colegas e profissionais do setor. Era uma voz que fazia da crítica um espelho social, um reframe da realidade cultural, convidando-nos a ver além do cartaz e do consumo instantâneo.
Para quem desejar prestar a última homenagem, a nota oficial informa que a salma ficará na câmara mortuária do Cemitério dei Lupi em Livorno, das 15h de segunda-feira, 16 de fevereiro, até as 12h de terça-feira, 17 de fevereiro.
Perdemos um mediador sensorial do cinema: alguém que traduziu filmes em memória coletiva e que, com sinceridade e erudição pop, nos lembrou que o espetáculo sempre carrega um roteiro oculto sobre quem somos. Em tempos onde o algoritmo muitas vezes decide o que vemos, a trajetória de Federico Frusciante permanece como uma lição — ou melhor, um convite — a procurar nas margens as inquietações que definem o centro.
Chiara Lombardi para Espresso Italia






















