Por Chiara Lombardi — A notícia ganhou contornos de um roteiro que mistura segredo e luto: Bibi, apontada como a presunta filha de Freddie Mercury, morreu aos 48 anos após uma longa batalha contra o cordoma, um tumor na coluna raro.
Em comunicado divulgado pela família e repercutido pela imprensa britânica, o marido de Bibi, Thomas, afirmou que “B é agora com o seu amado e amoroso pai no mundo dos pensamentos” e revelou que as cineres dela foram espalhadas ao vento nas Alpes. Segundo a nota, “Bibi morreu pacificamente depois de uma longa luta contra o cordoma, um raro tumor da coluna vertebral”. Ela deixa dois filhos, de nove e sete anos.
O caso veio à tona publicamente apenas no ano passado, quando a biografia Love, Freddie, escrita por Lesley-Ann Jones, trouxe à narrativa um personagem identificado apenas como “B”. A revelação reacendeu uma das lendas mais duradouras do universo da música: a possibilidade de que o emblemático frontman do Queen tivesse mantido um laço parental até sua morte, em 1991. Bibi chegou a afirmar que manteve uma relação próxima com Freddie Mercury até o fim da vida dele, uma versão que, até recentemente, figurava entre os mistérios mais bem guardados da cultura pop.
Enquanto o mundo olha para esse episódio como um desfecho trágico de uma história pessoal, também é possível ler o acontecimento como um espelho do nosso tempo: o interesse público por identidades e heranças culturais — seja de sangue ou simbólicas — tende a transformar vidas privadas em capítulos de uma narrativa coletiva. A notícia da existência de Bibi e seu falecimento não é apenas um fato biográfico; é um refrão sobre memória, responsabilidade e o modo como as histórias se tornam patrimônio emocional do público.
Do ponto de vista médico, o cordoma é uma neoplasia rara que afeta a base do crânio e a coluna vertebral; sua natureza indolente, mas resistente a tratamentos, faz com que cada caso tenha dimensões clínicas e humanas muito singulares. A menção ao tipo de tumor ajuda a humanizar o relato, evitando que a personagem vira apenas um símbolo midiático.
As cinzas de Bibi dispersas nas Alpes compõem uma imagem poderosa: como se sua história, até então em parte oculta, tivesse agora sido libertada para o céu, tornando-se uma pequena narrativa suspensa entre montanhas e vento. Para além do choque e da curiosidade, resta o cuidado com os dois filhos que ela deixou e a reflexão sobre os ecos culturais que nomes como o de Freddie Mercury continuam a provocar.





















